Sapiens: uma breve história da humanidade

Sapiens: uma breve história da humanidade ★★★★★

Ano: 2011
Autor: Yuval Noah Harari

Quando peguei esse livro, imaginei pelo título que fosse apenas uma história sobre os nossos ancestrais. À medida que a leitura avançava, percebi que se trata de um panorama completo da história da humanidade, indo desde os primórdios da nossa espécie até os dias atuais. A premissa é de que, há cem mil anos atrás, pelo menos seis espécies de seres humanos habitavam nosso planeta. Hoje, existe apenas uma: nós, os homo sapiens. Como isso aconteceu?

Yuval Noah Harari
Yuval Noah Harari

O israelense Yuval Noah Harari, filho de judeus com raízes na Europa, especializou-se em história medieval, militar e mundial, além de processos da macro-história – um método que tem como objetivo identificar tendências gerais ou de longo prazo com associação a tradições científicas. Desde que completou seu doutorado na Universidade de Oxford, o autor tem publicado vários artigos e livros cujo conteúdo é fruto de pesquisas que giram em torno de questões abrangentes como a relação entre a história e a biologia; as diferenças fundamentais entre o homo sapiens e os outros animais; a in/existência de justiça na história; uma possível direção dos acontecimentos; e se as pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo.

Pesquisar obras de Yuval Noah Harari

Entre as suas obras está o livro 21 lições para o século 21 (2018), que explora grandes questões do presente como a proteção nas guerras nucleares, cataclismos ambientais e crises tecnológicas, a epidemia de fake news, a ameaça do terrorismo, o ensino na atualidade e como manter o foco coletivo e individual. Já em Homo Deus (2016), ele combina ciência, história e filosofia para entender quem somos e para onde vamos, sempre com um olhar no passado e nas nossas origens, tentando traçar as tendências para o futuro.

Capa do livro

Mas vamos focar aqui em Sapiens: uma breve história da humanidade (2014). Originalmente publicado em hebraico sob o título Uma breve história do gênero humano, o livro já foi traduzido para cerca de 30 idiomas e se tornou um best-seller em diversos países. As perguntas abrangentes do escritor aparecem de forma abundante nessa obra. Como conquistamos o planeta? Por que nossos ancestrais se reuniram para criar cidades, reinos e impérios? Como passamos a acreditar em deuses, nações e direitos humanos? A confiar no dinheiro, em livros e leis? A ser escravizados pela burocracia, o consumismo e a incessante busca pela felicidade? Que papel teve nisso tudo a nossa capacidade imaginativa?

Trecho do livro sobre o consumismo
Trecho do livro sobre o consumismo

Além de todas as descobertas históricas, também gostei bastante das reflexões propostas por Yuval Noah Harari. Ali estão questões sobre a organização social, a relação entre povos subjugados e seus dominantes, a herança cultural, o papel das religiões, as organizações políticas, a exploração dos animais e do meio ambiente, o uso do dinheiro, as necessidades reais do ser humano e a busca pela felicidade, muitas das quais pude relacionar diretamente com o meu dia a dia. Em um dos trechos ele destaca a relação dos nossos desejos com o consumismo e cita as experiências pessoais tão propagadas e buscadas nos dias atuais.

O romantismo nos diz que para aproveitar ao máximo nosso potencial humano devemos ter tantas experiências diferentes quanto possível. Devemos nos abrir a um amplo leque de emoções; experimentar vários tipos de relacionamento; provar culinárias diferentes; aprender a apreciar diferentes estilos de músicas. Uma das melhores maneiras de fazer isso é escapar da nossa rotina diária, deixar para trás nosso cenário familiar e viajar para terras distantes, onde podemos “vivenciar” a cultura, os aromas, os sabores e as normas de outros povos. Ouvimos repetidas vezes os mitos românticos sobre “como uma nova experiência abriu meus olhos e mudou minha vida”.

O consumismo nos diz que para sermos felizes precisamos consumir tantos produtos e serviços quanto possível. Se sentimos que algo está faltando ou fora do lugar, provavelmente precisamos comprar um produto (um carro, roupas novas, comidas orgânicas) ou um serviço (limpeza doméstica, terapia de casais, aulas de yoga). Todo comercial de televisão é mais uma pequena lenda sobre como consumir algum produto ou serviço tornará a vida melhor.

O romantismo, que encoraja a variedade, casa perfeitamente com o consumismo. Esse casamento deu à luz o infinito “mercado de experiências” sobre o qual se ergueu a indústria de turismo moderna. A indústria de turismo não vende passagens aéreas e quartos de hotel; vende experiências. Paris não é uma cidade, nem a Índia é um país – são ambos experiências cuja realização supostamente expande nossos horizontes, satisfaz nosso potencial humano e nos torna mais felizes. Consequentemente, quando a relação entre um milionário e sua esposa está passando por um período difícil, ele a leva para uma viagem cara a Paris. A viagem não é um reflexo de algum desejo independente, mas antes uma crença fervorosa nos mitos do consumismo romântico. Um homem rico no Egito antigo jamais teria sonhado em resolver uma crise de relacionamento levando a esposa para uma viagem à Babilônia. Em vez disso, ele talvez construísse para ela a tumba suntuosa que ela sempre quis.

Evolução do homo sapiens
Evolução do homo sapiens

Vejam bem, ele toca justamente no tema que eu trato todos os dias aqui: as viagens como algo prazeroso, fonte de conhecimento, etc. Isso não quer dizer que eu tenha mudado de ideia e vá ficar em casa a partir de agora. Mas me fez repensar o que me leva a querer conhecer outros lugares, de onde vem a necessidade de buscar por novas experiências e até que ponto isso traz uma realização pessoal verdadeira. Enfim, Sapiens: uma breve história da humanidade é também uma boa fonte de autoconhecimento. E cá estou eu tentando te convencendo a ter nessa leitura uma ótima experiência, retroalimentando o consumismo.

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