Conhecer a história de um local me ajuda a entender melhor vários aspectos do que vejo como turista. Quando aquela área começou a ser ocupada, quem foram os habitantes, quais os pilares econômicos, de onde vieram as influências para a arquitetura, que eventos marcaram determinados espaços… Com isso, é possível compreender os costumes, a arte, a culinária, os espaços, a população e tantas outras questões.

Um bom local para isso é o Old Red Museum, que possui exposições sobre Dallas desde a era pré-histórica até os tempos atuais. Assim como no Brasil, o território que se tornou os Estados Unidos era, originalmente, habitado por tribos indígenas. Na época da colonização, o leste do Texas, Louisiana e porções do Arkansas e Oklahoma eram ocupados pelo povo Caddo. O domínio europeu começou após no século XVI com a chegada dos espanhóis, que controlaram a área até 1821, quando o México declarou sua independência. Posteriormente, a República do Texas se destacou do país, permanecendo independente por quase 10 anos.

Em 1839, John Neely Bryan visitou a área enquanto procurava por um bom local para estabelecer o comércio entre os colonos e os americanos nativos. Essa região se destacou por ser uma interseção entre os caminhos abertos pelo povo Caddo e um ponto onde era possível fazer a travessia do Trinity com carroças – a essa época, não haviam pontes sobre o rio. Anos depois, entretanto, um tratado foi assinado para retirar todos os indígenas da área e o potencial comercial foi prejudicado. A estratégia mudou, então, para um assentamento permanente. Na Founder’s Plaza é possível ver a John Neely Bryan Cabin, uma réplica das construções típicas da época. Imigrantes de diferentes estados como Arkansas, Illinois, Kentucky, Missouri e Tenessee trouxeram com eles a tradição de construir abrigos com toras de madeira. A posse do terreno era dada aos indivíduos que trabalhassem pelo menos 15 acres de terra e erguessem uma moradia.

Em 1860, a população chegou a 678 pessoas, incluindo 97 negros americanos, a maioria escravos. Nesse mesmo ano, um incêndio destruiu a maior parte das construções do bairro comercial. Muitos residentes acreditaram que os escravos estariam por trás da tragédia. Dois abolicionistas foram expulsos, três negros foram linchados e todos os demais chicoteados. Em 1865, os escravos texanos foram libertados e muitos migraram para Dallas em busca de trabalho, já que ali havia mais oportunidades do que no sul. Eles também queriam deixar as áreas rurais para criar suas próprias comunidades. A fim de manter a supremacia branca, a Ku Klux Klan ganhou força na região. Também foi nessa época que a cidade se tornou ponto de interseção de importantes vias ferroviárias, o que garantiu seu sucesso como centro comercial, o aumento da população e a construção de novos prédios residenciais e comerciais. O Dallas County Criminal Courts foi inaugurado em 1915 com uma cadeia, hospital, sala de operações, tribunal, barbearia e aposentos do carcereiro.

O desenvolvimento dos transportes e problemas nas produções das fazendas fizeram com que se investisse na indústria. Na virada do século XX, Dallas já era a líder do mercado de medicamentos, livros, joias e bebidas do sudoeste dos Estados Unidos. Também se tornou o centro do comércio de algodão, grãos e búfalos, se destacando nos setores bancário, de seguros, da moda e outros negócios. Mas nem tudo eram flores, já que os negros, mexicanos e brancos pobres eram excluídos do progresso. Além disso, havia o problema da segregação racial e a supremacia dos caucasianos, tudo dentro da lei. Em 1908, outra tragédia: uma grande enchente do rio Trinity deixou 4.000 pessoas desabrigadas. Dessa vez não deu para culpar ninguém além da natureza. Nos anos seguintes, um plano foi traçado para recuperar e desenvolver a cidade.

Apesar da grande depressão por que passava o país, a região foi beneficiada com a descoberta de reservas de petróleo. Em 1936, Dallas foi escolhida para sediar o Texas Centennial Exposition. Mais de cinquenta prédios foram construídos para receber cerca de 10 milhões de visitantes. Em 1940, foi concluída a Dealey Plaza, que recebeu esse nome em homenagem a George Bannerman Dealey, um líder comunitário e editor dos primórdios do jornal The Dallas Morning News. Ele foi o responsável pela campanha de revitalização da região e está representado na estátua. Anos depois, a cidade serviu como o centro de produção para a Segunda Guerra Mundial.

Durante as décadas de 1950 e 1960, a área se tornou um centro de alta tecnologia. O que mais marcou a época, entretanto, foi o assassinato do então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, durante uma passeata em carro aberto. Os dois andares superiores do prédio onde funcionada o Texas School Book Depository, de onde o funcionário Lee Harvey Oswald fez os disparos, foram depois convertidos em um museu histórico que cobre o evento a vida do presidente. O passeio no Sixth Floor Museum foi mais interessantes que eu fiz na cidade, uma vez que eu sabia muito pouco sobre o incidente.

Nas duas décadas seguintes, um boom de construções mudou a cara do centro da cidade. Enquanto a indústria petrolífera se mudava para Houston, Dallas se beneficiava dos avanços tecnológicos, do setor bancário e do comércio. Em 1983, foi criado o DART – Dallas Area Rapid Transit, responsável pelo transporte público urbano. Os anos seguintes, entretanto, foram marcados pela crise gerada pelo colapso da poupança e dos empréstimos, o que paralisou os planos de construção de novos prédios.

O crescimento voltou a acontecer no final dos anos 1990, quando Dallas ficou conhecida como a Silicon Valley texana. Uma das construções dessa época é o parque Pioneer Plaza, onde se destaca uma grande instalação de esculturas que representam o velho oeste americano. A obra relembra as manadas de gado do século XIX ao longo da Shawnee Trail, uma antiga rota percorrida para levar os animais até as ferrovias do norte.

Atualmente, Dallas continua a ser uma das principais cidades do estado do Texas. Embora o turismo não seja o pilar da sua economia, eu achei que há várias opções interessantes para os visitantes, entre museus, parques, eventos, prédios com arquitetura interessante e outras atrações. Essa vista geral da cidade eu tive do alto da Reunion Tower, que possui um mirante de 360°. Eu fiz o passeio no final da tarde para acompanhar o pôr-do-sol e ver a iluminação noturna.