Homem-Aranha no Aranhaverso

Homem-Aranha no Aranhaverso ★★★★★

Título Original: Spider-Man: into the Spider-Verse
Ano: 2018
Direção: Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman
Elenco: Shameik Moore, Jake Johnson, Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Brian Tyree Henry, Lily Tomli, Luna Lauren Velez, John Mulaney, Nicolas Cage, Kimiko Glenn e Liev Schreiber.

O Homem-Aranha é um dos meus super-heróis preferidos porque é um cara comum e engraçado que vive em uma das cidades que eu mais gosto, Nova York. Os filmes costumam mostrar bem a cidade, sejam os pontos turísticos ou lugares menos conhecidos, e eu adoro ficar observando para ver o que eu reconheço. É a minha parte viajante falando mais alto.

A impressionante cidade de Nova York
A impressionante cidade de Nova York

Mas, no fim das contas, o que conta mesmo é se a história é boa e como ela é contada. Desde aquela trilogia original, eu não me divertia tanto com o herói – confesso que vejo todos os filmes da Marvel, mas tenho ficado cada vez com mais preguiça desse universo compartilhado.

Falando nos filmes em live-action, até agora já foram seis apenas sobre o Peter Parker, em diferentes reboots – sem contar o universo compartilhado da Marvel. Tanto que a história de origem do personagem até virou piada nessa animação.

Miles Morales é o personagem central
Miles Morales é o personagem central

A decisão mais acertada nessa obra foi introduzir outros heróis. A mudança do foco para o Miles Morales, que tem uma história de vida diferente, personalidade própria e grande influência do Brooklyn traz um frescor. Nesse sentido, é interessante que a maior parte da trama se passe justamente nessa área e não em Manhattan, como é de costume.

Fora os heróis dos outros universos alternativos. Nos anteriores era sempre o mesmo jovem, branco, homem… Agora nem precisa ser humano, o que dá uma perspectiva bem mais abrangente, possibilitando que diferentes espectadores se identifiquem com a obra.

Heróis de diferentes gêneros e estilos
Heróis de diferentes gêneros e estilos

Aliás, um dos grandes trunfos desse filme é conseguir introduzir e trabalhar com tantos personagens ao mesmo tempo sem tornar a história confusa. São nada menos que seis heróis – sete se contarmos o Homem-Aranha original. O principal protagonista é Miles Morales, um jovem negro morador do Brooklyn que ganha poderes ao ser picado por uma aranha. Dentre todos, é o que tem mais desenvolvimento, já que é mostrada toda a sua trajetória de convívio com família, transformação, aprendizado, etc. Mas também há um bom destaque para os papéis da Spider-Gwen e do Espetacular Homem-Aranha, esse já mais velho. Completam o time, ainda que com participações menores, o Spider-Ham, um porquinho em estilo cartoon, Spider-Man Noir, que aparece em preto e branco, e Peni Parker, de influências japonesas.

O estilo visual é influenciado pelos quadrinhos
O estilo visual é influenciado pelos quadrinhos

Falando em estilo, a animação me agradou bastante por ter um visual que remete o tempo todo aos quadrinhos, destacando características típicas da impressão e da própria mídia, como as caixas de diálogos, reproduções de sons através de texto, divisão da tela em quadros e outros. Tudo isso é feito de maneira bastante orgânica. Também destaco o fato de eles terem realmente abraçado a mídia, com sua liberdade de exagerar movimentos, formas e cores. Além disso, como tudo é criado do zero, sem a necessidade de interação entre atores gravados em live-action e efeitos especiais, todos os elementos parecem mais bem integrados.

A história é engraçada, assustadora e emocionante
A história é engraçada, assustadora e emocionante

Mas o que mais me surpreendeu mesmo foi terem conseguido acertar o tom da narrativa, que mistura momentos engraçados, tragédias, bobagens e dramas na medida certa. Era de se imaginar que uma animação talvez fosse voltada para o público mais infantil e tivesse menos passagens sérias, mas não é o caso. É possível ficar tenso com os momentos de suspense, se assustar com alguns acontecimentos, rir das piadas e até ficar emocionado. Um dos elementos em comum em todas as adaptações das histórias do Homem-Aranha para o cinema é a tragédia e a perda de alguém querido, algo que esse filme não nos deixa esquecer.

Homenagens às adaptações anteriores
Homenagens às adaptações anteriores

Não posso esquecer de comentar que a trilha sonora é incrível, a dublagem é muito bem feita (assisti o original, em inglês) e, sim, as cenas de ação são ótimas, como se espera de um filme de aventura de super-heróis. Entre tudo isso, há ainda homenagens às obras anteriores. O sucesso do filme, que tem ganhado diversas indicações e prêmios de melhor animação do ano, certamente levará o estúdio a novas empreitadas. Material não falta e uma possibilidade fica implícita na cena pós-créditos. Mal posso esperar!

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