Praça da Revolução, em Paris

Paris – Senta que lá vem história

Paris é uma cidade com muitos lugares para visitar e também com muita história. Eu já vou resumir em uma frase: tiro, porrada e bomba (POPOZUDA, Valesca. 2013). Vai acompanhando o também resumido, mas ainda longo, histórico. O primeiro povoamento conhecido da região é de até 6.000 anos atrás e, aparentemente, a região era sempre ocupada desde então. Mas pouco se sabe desses anos mais antigos até a chegada das tropas de César, em 52 a.C., quando um povo celta chamado parísios dominava o local. Os romanos renomearam a vila, que em seu apogeu contou com cerca de 5 mil habitantes, como Lutécia. No século IV ela volta a se chamar Paris em referência ao nome do povo anterior.

Mapa da Paris de 508 d.C.
Mapa da Paris de 508 d.C.

Durante a Idade Média, Paris foi estabelecida como a capital do Reino dos Francos entre 506 até o início do século VII. A cidade é palco de diversas invasões e trocas de poderes, até que, no século IX, torna-se um importante centro de ensino religioso. O poder real volta a se fixar na cidade, que é nomeada novamente como capital a partir de Louis VI (1108-1137). Sua posição, na convergência de grandes rotas comerciais, enriquece e valoriza a cidade como polo político e financeiro. Em 1163, o bispo Maurice de Sully empreende a edificação da Catedral de Notre-Dame de Paris e, anos depois, a cidade é cercada por uma muralha por Filipe Augusto (1179-1223). Por volta de 1328, a população já chega a 200.000 habitantes, sendo a mais populosa da Europa mas, anos depois, a Peste Negra dizima grande parte das pessoas. Entre 1337 e 1453, uma série de conflitos envolvendo a França e a Inglaterra provocou diversas transformações na vida política, econômica e social da Europa Ocidental, ficando conhecida como Guerra dos Cem Anos. Paris chega ao fim do período arruinada com Joana D’Arc fracassando na tentativa de libertá-la dos ingleses e seus aliados.

Mapa de Paris em 1550
Mapa de Paris em 1550

A partir dos anos 1500, no período da Renascença, cresce o ensino moderno voltado para o humanismo e as ciências exatas. Apesar da alta taxa de mortalidade infantil e da situação de pobreza e falta de segurança, a população atinge 400.000 habitantes no século seguinte. A cidade continua a ser cenário de diversos conflitos, tanto de invasões quanto de revolta da população contra a coroa e Louis XIV escolhe Versalhes como residência a partir de 1677, mudando também a sede do governo na década seguinte. No século seguinte, Louis XV começa a se interessar pessoalmente por Paris, decidindo reformar a praça que leva seu nome, criar a Escola Militar em 1752 e construir uma igreja dedicada a Santa Genovena, conhecida atualmente como Panteão.

Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789
Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789

A crise econômica, o sistema desigual de taxação, os problemas políticos e a filosofia iluminista levam ao desenvolvimento da Revolução Francesa. O marco inicial do processo é a tomada da Bastilha em 14 de julho de 1789. A Bastilha era uma fortaleza medieval utilizada como prisão que, apesar de conter apenas sete prisioneiros à época, tornou-se símbolo da revolta. No dia seguinte, o astrônomo Jean Sylvain Bailly assume o cargo de prefeito de Paris. Em 5 de outubro, um levante desencadeado pelas mulheres no mercado parisiense chega a Versalhes ao anoitecer. Na manhã seguinte, o castelo é invadido e o rei é obrigado pelos populares a fazer residência em Paris e de lá convocar uma Assembleia Constituinte. O ano seguinte é marcado pela declaração dos bens da Igreja Católica e da Coroa como bens nacionais, de propriedade do governo revolucionário. Em 1792, a monarquia francesa é de fato abolida. No começo do ano seguinte, Louis XVI é guilhotinado na Place Louis XV, rebatizada como “Praça da Revolução”. Nas semanas posteriores, mais de mil pessoas foram executadas, incluindo Maria Antonieta, Danton, Lavoisier e Robespierre. Em 1804, cinco anos depois de tomar o poder com um golpe de Estado, Napoleão Bonaparte é sagrado imperador pelo Papa Pio VII na Catedral de Notre-Dame. Na primeira década do século XIX, o império francês, sob o comando de Napoleão, se envolveu em uma série de conflitos com várias potências européias – as Guerras Napoleônicas. Após uma sequência de vitórias, a sorte virou para Napoleão com a Campanha da Rússia, em 1812. Napoleão foi definitivamente derrotado na Batalha de Waterloo, três anos depois.

Após a queda do Império, Paris foi invadida pelos exércitos ingleses e cossacos, que acamparam na Champs-Élysées. Louis VXIII retorna do exílio e é coroado, seguido por outros monarcas pouco preocupados com a administração da cidade, tomada por um miserável proletariado trabalhador. Em 1848, o destino final de 80% dos mortos é a foça comum e dois terços dos parisienses são pobres demais para pagar impostos. Esse clima é propício para novas revoltas populares. As décadas seguintes são marcadas pelo regime monárquico bonapartista implantado por Napoleão III entre 1852 e 1870, caracterizado pela ditadura, modernização e desenvolvimento econômico. O Império chegou ao fim durante a Guerra Franco-Prussiana.

Exposição Universal de 1900
Exposição Universal de 1889

Entre os anos 1871 a 1914, Paris viveu a Belle Époque, com grande expansão econômica e geração de empregos. A Torre Eiffel é construída para a Exposição Universal de 1889, em comemoração ao centenário da Revolução Francesa, atraindo 28 milhões de visitantes. Entre 1900 e 1913, foram criados 175 cinemas na cidade e várias lojas de departamento foram abertas. É um período de apogeu cultural, principalmente nos bairros Montparnasse e Montmartre, com artistas como Picasso, Matisse, Braque e Fernand Léger residindo na cidade. Paris ainda foi poupada de combates diretos durante a Primeira Guerra Mundial, sofrendo poucos ataques dos alemães. Já no período entre as guerras, a população de quase 3 milhões de habitantes gera uma crise e leva à criação de um programa do governo para habitações a preço social. Já na Segunda Guerra Mundial, a cidade é ocupada e se torna sede do comando militar alemão, sendo relativamente poupada de maiores estragos. A liberação da cidade acontece em 1944.

Paris vista da Torre Eiffel
Paris vista da Torre Eiffel

Com uma história dessas e importância mundial, não admira que Paris continue a ser uma cidade relativamente conturbada ainda na era contemporânea. Em 1961, uma manifestação a favor da independência da Argélia foi violentamente reprimida pela polícia. Na mesma década, um movimento estudantil originado na Universidade de Nanterre realizou manifestações para “mudar o mundo”, o que se desenvolveu em uma crise política e social a nível nacional, juntando 800.000 pessoas em uma marcha contra a violência policial. Um movimento contrário, de apoio ao governo do General de Gaulle, reuniu 1.000.000 de pessoas. A cidade ainda vive momentos tensos, com ataques terroristas, escândalos políticos ou demonstrações gritantes de racismo e xenofobia, mas nem tudo é drama. Em 2001, o então prefeito Bertrand Delanoë decidiu reduzir o espaço de automóveis na cidade em benefício dos pedestres e transportes públicos, uma tendência que os coxinhas brasileiros se recusam a aceitar. Paris continua a ser a capital política, artística e intelectual da França, sede do governo e das principais administrações, do arcebispado, da universidade que congrega a terça parte dos estudantes franceses, de vários museus, bibliotecas, lojas famosas, parques, monumentos e outros tantos pontos turísticos. Um lugar que quase todos querem (e devem) conhecer.

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