Jalapão – Pôr-do-sol nas dunas

Entre as muitas experiências marcantes que o Jalapão proporciona, acompanhar o espetáculo do pôr do sol nas dunas é, sem dúvida, uma das mais inesquecíveis. Localizadas dentro do parque, as dunas douradas formam um cenário surpreendente no coração do cerrado tocantinense, entre veredas, buritis e serras. Isso cria um contraste visual de tirar o fôlego – eu mesmo não tinha ideia de que encontraria essas montanhas de areia durante a minha viagem.

Reservar este passeio

Eu fui até lá com o Tour pelo Parque Estadual do Jalapão, que pode ser feito com duração de três a seis dias. Fazer o passeio guiado é a opção mais confortável, já que é comum passar várias horas na estrada para alcançar os principais pontos turísticos. Mas também dá para alugar um carro e ir por conta própria, tendo completa liberdade na programação. Nesse caso, é importante optar por um veículo maior e com tração 4×4, já que é preciso percorrer longos trechos sem asfalto.

Morro do Saca Trapo

Você sabe que está chegando ao destino quando avista o Morro do Saca Trapo, uma elevação rochosa de formas irregulares que chama atenção pela silhueta recortada e imponente. Segundo relatos locais, seu curioso nome faz alusão ao formato, que lembra uma trouxa de pano ou saco de roupas, os chamados “saca-trapos”, usados antigamente por viajantes.

Lago do Espírito Santo

O morro faz parte da Serra do Espírito Santo. No final do caminho, passamos por um lago que leva o nome da serra, também conhecido como “lago das dunas”. Com suas águas escuras refletindo o azul do céu, ele se destaca na paisagem como um ponto de contraste entre a vegetação do cerrado, as montanhas e as formações de areia alaranjada. Para garantir a preservação do ecossistema, não é permitido nadar nesse lago. Além disso, não se pode fazer fogueira, consumir bebidas alcoólicas ou alimentos, levar animais de estimação, usar drones nem produzir poluição sonora.

Travessia do côrrego

A presença de nascentes, veredas e esse lago é resultado da geologia única da serra, que contribui para a formação de cursos d’água em meio a um ambiente aparentemente árido. Após deixar o carro em uma área de estacionamento, fizemos uma breve caminhada plana. No final, é preciso atravessar um pequeno curso d’água, onde a maioria das pessoas tira os tênis e segue descalça até o fim do passeio. Outra opção é usar sapatilhas aquáticas, que servem tanto para caminhada quanto para entrar na água.

Subida pela areia

A etapa final exige um pouco mais de esforço, já que é necessário subir um trecho com areia fofa, com os pés afundando a cada passo. Não é tão difícil quanto parece, pois existe uma área com aclive mais ameno e pessoas de todas as idades são capazes de fazer o percurso, ainda que um pouco mais lentamente dependendo do condicionamento físico. Mesmo no final da tarde, o calor é intenso na região. Recomenda-se ir com roupas leves e confortáveis, abusar do protetor solar e usar chapéu ou boné. Como não há nenhuma estrutura no local, também é imprescindível levar água.

Oasis no cerrado

A formação das dunas se deu a partir da erosão de rochas areníticas, um processo natural que levou milhares de anos. Na região, predominam formações geológicas compostas por arenito – um tipo de rocha sedimentar formada por grãos de areia compactados. Ao longo do tempo, a ação do vento, da chuva e das mudanças de temperatura foi desgastando essas rochas, liberando os grãos. O acúmulo dessa areia em uma área específica do parque deu origem às dunas que conhecemos hoje. A presença de lençóis freáticos próximos à superfície, típica do cerrado úmido da região, ajuda a impedir que elas se espalhem como nos desertos áridos. Além disso, a vegetação nativa ao redor, como buritis e veredas, também contribui para essa estabilidade.

Momento de contemplação

O resultado é um campo de dunas de até quarenta metros de altura, de onde se tem uma vista privilegiada das serras, vegetação típica do cerrado, rios cristalinos e o lago. Para o pôr do sol, eu prefiro ter um momento mais contemplativo, ficando um pouco mais afastado dos grupos de turistas para buscar silêncio e realmente aproveitar o espetáculo. Outras pessoas ficaram o tempo todo tentando fazer a “foto perfeita das redes sociais”, incluindo jogar areia para cima para criar um efeito.

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Apesar do esforço de se deslocar até o local por estradas de terra e subir pela areia fofa, a recompensa no topo vale muito a pena: a vista panorâmica durante o pôr-do-sol é impressionante, com um mar de areia dourada formado pelas dunas. No mapa interativo acima, é possível ver a localização exata desse e de outros atrativos da região.

Para os passeios nessa parte do parque, recomendo buscar uma hospedagem em Mateiros, que possui algumas pousadas com boa estrutura. A comunidade fica a cerca de 46 km das dunas, mas dá para incluir outros atrativos no mesmo dia, incluindo a Prainha do Rio Novo.

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