Islândia – Hengifoss: A cachoeira com linhas vermelhas

A Hengifoss é uma das cachoeiras mais impressionantes do leste da Islândia, figurando entre as mais altas do país com cerca de 128 metros de queda d’água. O acesso não é imediato, já que a cachoeira fica no interior de um cânion escavado pelo rio Hengifossá. A trilha é considerada uma das mais populares nessa região do país, combinando geologia, paisagens amplas e outras cachoeiras no caminho.

A forma mais prática de visitar a cachoeira é alugar um carro, já que essa região recebe menos excursões organizadas que áreas mais próximas a Reykjavík. A partir da cidade de Egilsstaðir, o principal centro urbano da região, o trajeto leva cerca de 30 minutos. A estrada que leva à trilha passa ao lado do lago Lagarfljót, um grande corpo d’água glacial com cerca de 25 km de extensão e pode atingir profundidades superiores a 100 m.

Lagarfljot

Além da importância geográfica, o local também faz parte do folclore islandês, pois algumas lendas afirmam que uma serpente gigante chamada Lagarfljótsormurinn viveria em suas águas, lembrando a famosa história do monstro do Lago Ness. A paisagem ao redor combina montanhas suaves, florestas e áreas rurais, algo relativamente raro na Islândia. Esse cenário acompanha o visitante durante parte do trajeto até o início da trilha. O estacionamento pago é amplo e possui boa estrutura, com banheiros e um café. A cobrança é feita por meio de totens de autoatendimento ou por aplicativo.

Mirante inferior

Logo no início da trilha já é possível observar a Hengifoss à distância, graças à abertura do vale que revela parte do paredão onde a cachoeira despenca. Esse primeiro mirante natural fica próximo ao estacionamento e oferece uma boa noção da dimensão do cânion. Muitas pessoas aproveitam esse ponto para tirar as primeiras fotos antes de iniciar a subida mais íngreme da trilha. A partir desse ângulo, também é possível perceber o contraste entre o rio que corta o vale e as encostas áridas ao redor.

Trilha com subida constante

A caminhada segue por uma trilha moderada bem sinalizada margeando o rio. O percurso total tem cerca de 5 quilômetros ida e volta, com um ganho de elevação de aproximadamente 300 metros. Apesar de não ser muito longo, o trajeto pode ser mais exigente devido às subidas constantes. A maioria dos visitantes leva entre 40 e 60 minutos para chegar ao topo, dependendo do ritmo e das paradas para fotos. O início inclui escadas e depois continua por um caminho de cascalho.

Litlanesfoss

No meio da trilha, vale a pena fazer uma pausa para apreciar a cachoeira Litlanesfoss. Com cerca de 30 metros de altura, ela se destaca menos pela dimensão e mais pelo cenário geológico que a cerca. A queda d’água está encaixada em um anfiteatro natural formado por colunas de basalto extremamente regulares. Essas estruturas rochosas surgem quando lava vulcânica esfria rapidamente e se contrai, criando formações verticais e hexagonais. Algumas delas podem atingir até 15 ou 20 metros de altura, criando uma paisagem impressionante.

Rio Fossá

O caminho segue contornando o cânion, sempre em leve subida, e oferece vários pontos para fotografar o vale e as montanhas ao redor. Durante o verão, é comum encontrar flores silvestres espalhadas pela encosta, além de aves que utilizam a área para nidificação. O percurso é bem marcado e relativamente seguro para quem está acostumado a trilhas leves.

Passarela de madeira

Nos trechos finais da caminhada, o caminho conta com passarelas de madeira para proteger o solo e facilitar a circulação dos visitantes. Essas áreas costumam aparecer onde o terreno é mais úmido ou sensível à erosão. As plataformas também ajudam a manter o fluxo de turistas organizado, evitando que as pessoas se aproximem demais da borda do cânion. A presença dessas estruturas mostra o esforço das autoridades locais em preservar o ambiente natural da região. Além disso, elas tornam a caminhada mais confortável, principalmente em períodos de chuva, quando o solo está enlameado.

Mirante superior

Ao final da trilha, o visitante chega ao principal mirante da Hengifoss. A cachoeira despenca de um paredão com cerca de 128 metros de altura, o que a coloca entre as três mais altas da Islândia. O grande diferencial visual está nas camadas horizontais de rocha que alternam basalto escuro e faixas vermelhas de argila rica em ferro. Essas faixas são registros geológicos de antigas erupções vulcânicas e períodos de sedimentação ocorridos há milhões de anos. Não é permitido chegar mais próximo ou entrar na água.

Vista do vale

Ao iniciar o retorno, é possível descer pelo outro lado do rio. Essa opção proporciona perspectivas diferentes da paisagem, incluindo vistas amplas do lago Lagarfljót ao fundo, as formações rochosas do cânion e as cachoeiras. Quem fizer o passeio no final da tarde ainda terá a oportunidade de aproveitar um ótimo ponto de vista para o pôr-do-sol.

Colunas basálticas

As colunas basálticas são uma das características geológicas mais marcantes da região. Elas se formam quando fluxos de lava esfriam rapidamente e se contraem, criando fraturas que resultam em colunas quase perfeitamente hexagonais. Na área da Litlanesfoss, essas estruturas aparecem de forma particularmente impressionante, formando paredes naturais semelhantes a órgãos de igreja. Algumas colunas chegam a cerca de 20 metros de altura, entre as maiores encontradas na Islândia. Essas formações também podem ser vistas em outros pontos do país, como na cachoeira Svartifoss ou no cânion Stuðlagil.

Descida no retorno

A descida costuma ser mais rápida que a subida, já que exige menos esforço. Mesmo assim, muitos visitantes continuam fazendo paradas para fotos, especialmente nos mirantes voltados para o vale e o lago. Ao chegar novamente ao estacionamento, é possível utilizar as estruturas do local antes de seguir viagem. A visita completa, incluindo caminhada e paradas para observação, costuma durar entre duas e três horas. É recomendável reservar meio período do dia para explorar a área.

A Hengifoss fica em uma área rica em paisagens naturais e pode ser combinada com vários outros atrativos do leste islandês. Entre os pontos próximos estão a floresta Hallormsstaðaskógur, considerada a maior área florestal do país, e diferentes mirantes ao redor do lago Lagarfljót. A cidade de Egilsstaðir funciona como base para explorar a região, oferecendo hotéis, restaurantes e serviços. Outros destinos populares nas proximidades incluem o cânion Stuðlagil e o banho em piscinas de águas termais da Vök Baths. Por isso, muitos viajantes utilizam um mapa interativo acima para planejar melhor o deslocamento entre esses pontos. Essa estratégia ajuda a organizar um itinerário eficiente.

Também é possível se hospedar pertinho da cachoeira. A Hengifosslodge Tiny Houses segue o conceito de tiny houses, pequenas casas independentes que oferecem conforto e privacidade em meio à natureza. A localização é estratégica para quem pretende visitar a Hengifoss logo pela manhã ou no final do dia, quando a luz costuma valorizar ainda mais as cores das montanhas e o local ainda não recebeu turistas que chegam de pontos mais distantes. Além da proximidade com a cachoeira, o local também facilita o acesso ao lago e às trilhas da região. Esse tipo de hospedagem combina bem com roteiros de viagem focados em natureza e tranquilidade.

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