A trilha pelo Vatnajökull é uma das experiências mais impressionantes da Islândia, especialmente durante os meses de inverno, quando pode ser incluída a entrada em uma caverna de gelo. O passeio acontece em áreas próximas ao parque Skaftafell, que serve como ponto de encontro para a saída do passeio. Para chegar até lá, a maioria dos turistas opta por alugar um carro, o que permite visitar a maioria dos atrativos do país por conta própria.

Para quem viaja entre os meses de outubro e abril, é possível reservar a trilha pelo glaciar + caverna de gelo azul. O passeio, que tem duração média de 4h, só pode ser feito com o acompanhamento de guias especializados e uso de equipamentos de segurança. Para quem viaja nos outros meses, dá para reservar somente a trilha pelo glaciar, sem caverna. Em ambos os casos, o percurso combina aventura, contato direto com a natureza e aprendizado.

Antes de iniciar a caminhada, há uma pausa para a distribuição e colocação dos equipamentos de segurança. Os guias entregam capacete, arnês, grampos para os pés e, em alguns casos, bastão de trilha. Cada item é ajustado individualmente para garantir conforto e proteção. É importante seguir todas as instruções com atenção para evitar acidentes.

Os grampos são peças metálicas presas às botas para garantir aderência no gelo. Eles possuem pontas afiadas que se fixam na superfície escorregadia. Sem esse equipamento, a caminhada seria praticamente impossível. Os guias ensinam como pisar corretamente, evitando tropeços. É fundamental manter os pés bem apoiados e caminhar com passos firmes. Nos primeiros minutos, pode parecer desconfortável, mas a adaptação é rápida.

Geralmente, são cerca de 2 km de caminhada na ida, totalizando 4 km contando com a volta, sobre uma das maiores massas de gelo da Europa. Essa distância pode variar bastante, pois a cada ano surgem novas cavernas e outras são fechadas. É um trajeto um pouco cansativo, com a inclinação do terreno e a pisada forte para garantir mais estabilidade. Mas também fascinante, tanto pela paisagem quanto pelas informações. Durante o trajeto, o guia explica como o glaciar se forma e se movimenta, além do impacto das mudanças climáticas.

Ao longo da trilha, surgem grandes fissuras que revelam a profundidade do glaciar. Algumas dessas rachaduras podem ter vários metros de profundidade. Elas se formam devido ao movimento constante do gelo e à passagem da água derretida, que vai abrindo o caminho para sua passagem. A caminhada costuma ser feita em fila, com os guias na frente para definir onde é seguro passar.

As formações naturais são esculpidas continuamente pelo fluxo da água do degelo e pela ação do vento. Por isso, as cavernas de gelo estão sempre mudando, o que torna cada visita única. Durante o verão, o derretimento escava túneis dentro do glaciar. No inverno, essas estruturas ficam mais estáveis e acessíveis, por isso a visitação só é feita nos meses mais frios. Algumas apresentam paredes cristalinas, outras têm tons azulados intensos e ainda há as que se destacam pela fuligem preta.

Pode ser incluída no passeio uma pequena descida com auxílio de cordas. Nesse dia, elas foram usadas como apoio para acessar o interior de uma das cavernas visitadas. Embora possa parecer desafiadora para os iniciantes, o processo é seguro devido ao auxílio do guia. Como não é o destino principal, a entrada é opcional, mas adiciona um toque de aventura ao dia.

Dentro dessa caverna, a água escorria com abundância pela parede. Essa água é resultado do degelo interno do glaciar. Em outros pontos, pequenas gotas caíam constantemente do teto. As superfícies ficam ainda mais brilhantes e translúcidas. Esse fenômeno reforça a sensação de que o local está em constante transformação. Lembre-se de usar roupas adequadas. Além de bloquear o frio, é preciso que elas sejam impermeáveis.

O calçado também deve ser à prova de água, preferencialmente uma bota de cano médio ou galocha. A neve derretida e a água dentro da caverna molham facilmente os pés. As meias térmicas ajudam a manter o conforto em temperaturas baixas, essencial para um passeio com duração de 4h. Caso não tenha vestuário adequado, há sempre a possibilidade de alugar os itens faltantes.

Algumas áreas do glaciar são isoladas por risco de desabamento. Como estão em constante transformação, as cavernas seguem um ciclo de vida. Elas se formam aos poucos com a passagem da água, ficam grandes o suficiente para serem visitadas com segurança e depois se tornam instáveis. Isso acontece ao longo de poucos anos e os guias monitoram constantemente as condições do local.

Também há o risco de queda de pedras nas encostas das montanhas. O desgelo, combinado com as chuvas e a ação dos ventos, provoca deslizamentos. Pequenas rochas podem se soltar sem aviso e os guias escolhem rotas que minimizam esse perigo. Nesse dia, foi preciso esperar por um tempo enquanto dois profissionais derrubavam uma rocha. Depois de feito o trabalho, a passagem foi novamente liberada.

Falando em espera, as cavernas são visitadas por diferentes agências e pode haver fila na entrada. Os guias se organizam para evitar aglomerações internas, controlando o número de pessoas no local. Isso é necessário para que cada grupo seja acompanhado de perto, pois ninguém pode ficar sem assistência por nenhum momento devido aos riscos inerentes ao passeio.

Além disso, as cavernas têm um espaço bem limitado, com algumas áreas bem baixas ou estreitas. Essa foi a segunda visitada no dia e, em certos pontos, foi necessário se agachar ou caminhar curvado. É nessas horas que se descobre a importância de usar um capacete, pois pequenas batidas no teto são constantes. Também deve-se evitar levar mochilas grandes, que atrapalham muito o deslocamento nos trechos mais apertados. O peso também torna o passeio mais cansativo, sendo ideal levar apenas o essencial.

Dentre os itens indispensáveis estão pelo menos um litro de água por pessoa e algum lanche prático. A atividade exige esforço físico e dura várias horas. Barras de cereal, sanduíches, castanhas e frutas secas são boas opções. As bebidas devem ser mantidas em garrafas térmicas para evitar congelamento. Importante notar que não há pontos de venda no local do passeio, tampouco estrutura para ir ao banheiro ou qualquer coisa do tipo.

Chegando ao destino principal do passeio, a terceira e última caverna de gelo visitada nesse dia. Em algumas áreas, o gelo apresenta coloração escura. Isso acontece devido à deposição de cinzas vulcânicas ao longo dos anos. A Islândia possui intensa atividade vulcânica, e essas partículas se acumulam no glaciar, ficando presas entre as camadas de gelo. O contraste entre o preto e o azul cria paisagens únicas. Esse fenômeno também acelera o derretimento, já que o gelo escuro absorve mais calor solar. É um exemplo visível da interação entre vulcanismo e glaciação.

Como essa visita foi feita no primeiro dia de outubro, com a abertura do período de visitação às cavernas de gelo no início dos meses mais frios, ainda havia muita água correndo pela área. Por isso, foi possível encontrar pequenas cachoeiras formadas pelo fluxo concentrado do degelo. A água desce pelas paredes cristalinas, criando um espetáculo natural. A luz refletida no gelo intensifica o efeito visual.

Essa era uma área mais espaçosa, permitindo andar em pé e explorar diferentes pontos, mas é preciso manter as expectativas sob controle. Não se trata de um salão enorme e outras pessoas do grupo circulam pelo mesmo local, dificultando tirar uma foto em que não aparece ninguém. Ao longo do percurso, havia grandes blocos de gelo desprendidos das paredes, com superfícies translúcidas e tamanhos variados. Eles se formam devido a pequenos desmoronamentos internos.

Após a visita à caverna, inicia-se a caminhada de retorno pelo glaciar. O percurso costuma ser feito por uma rota semelhante à de ida, mas flui com mais rapidez porque já não há paradas. Nesse momento, o corpo já está mais adaptado ao terreno, mas também bem cansado. É recomendável certa cautela ao programar outros passeios para o mesmo dia.
É interessante utilizar o mapa interativo acima, que mostra a localização dos principais atrativos da Islândia. Esse recurso ajuda no planejamento do roteiro para quem faz os passeios por conta própria, com foco na otimização do tempo e deslocamentos. Também ajuda a definir os pontos que serão usados como base. A trilha pelo glaciar + caverna de gelo azul, por exemplo, sai de Skaftafell de outubro a abril. Para quem vai no verão, ainda há a alternativa de fazer a caminhada sem incluir a entrada nas cavernas de gelo. Durante todo o ano, saem passeios com a trilha pelo glaciar.
Uma das opções mais confortáveis de hospedagem nessa área é o Hotel Skaftafell. Sua localização a poucos minutos do parque Skaftafell garante acesso fácil a trilhas, geleiras e cachoeiras espetaculares, como a famosa Svartifoss, cercada por colunas de basalto. A região também conta com extensos campos de lava, a lagoa Jökulsárlón com seus icebergs e a praia Diamond Beach. A maior vantagem de ficar por ali é poder chegar aos atrativos antes dos ônibus de turismo e ficar até mais tarde para acompanhar o pôr-do-sol de algum ponto estratégico. Vale a pena investir para ter mais conforto e experiências únicas durante a viagem pela Islândia.
