O Þingvellir (Thingvellir) é uma das paradas mais emblemáticas na Rota do Círculo Dourado, o roteiro turístico mais famoso da Islândia. Localizado a cerca de 45 km de Reykjavík, o parque combina história, geologia e paisagens naturais em um único lugar. Com uma área aproximada de 237 km², seu território abrange vales tectônicos, campos abertos, áreas montanhosas e parte do maior lago do país.
Apesar do tamanho, os principais pontos turísticos estão relativamente concentrados, facilitando a visita em meio período ou um dia inteiro. Ao mesmo tempo, áreas mais afastadas oferecem experiências mais tranquilas, longe das multidões. No mapa interativo acima, é possível aproximar para ver os pontos mais visitados. Recomendo dar uma olhada para fazer o planejamento caso a ideia seja fazer o passeio por conta própria.

Ao optar por alugar um carro, é possível organizar o seu próprio roteiro. O parque possui vários estacionamentos. Eu parei no P5, a área que concentra vários pontos de interesse próximos. Na alta temporada, ele pode ficar lotado. Outro ponto recomendado é o P3. O uso é pago, com cobrança feita por veículo e válida para o dia inteiro. O pagamento do estacionamento pode ser feito online ou nos totens disponíveis e vale para todas as paradas do parque.

As placas informativas estão espalhadas por todo o parque. Elas indicam trilhas, pontos históricos, formações geológicas, estacionamentos, banheiros e outros. Os nomes estão em islandês, mas os textos aparecem também em inglês. Em vários pontos há painéis explicativos que contextualizam a importância histórica do parque e os processos geológicos do local. Isso torna a visita autoguiada possível, permitindo explorar no próprio ritmo. É recomendável ficar atento às distâncias para controlar o tempo, seja visitando o local por conta própria ou com o tour guiado.

O Þingvallavatn (Thingvallavatn) é o maior lago natural da Islândia e ocupa uma área significativa do parque. Suas águas são extremamente cristalinas, alimentadas por fontes subterrâneas e pelo degelo. O lago também é famoso por atividades como o snorkeling, sendo conhecido pela visibilidade excepcional. O entorno do lago oferece áreas abertas para caminhada e contemplação. O mergulho deve ser feito preferencialmente em dias de céu limpo.
O snorkel pela fissura de Silfra oferece uma experiência única, já que a fenda se encontra entre as placas tectônicas da América do Norte e da Eurásia, preenchida por água glacial filtrada por rochas vulcânicas. A visibilidade pode ultrapassar 100 metros, considerada excepcional. A temperatura da água permanece em torno de 2 °C a 4 °C durante todo o ano, exigindo roupas térmicas especiais. A atividade é feita com operadoras autorizadas e acompanhamento de guias.

A vegetação é composta principalmente por musgos, gramíneas e arbustos de pequeno porte, adaptados ao clima frio e ao solo vulcânico. Árvores são raras, refletindo as condições naturais da região. Os musgos cobrem rochas e campos, criando texturas e tons que variam conforme a estação. Na primavera e no verão, pequenas flores silvestres aparecem em pontos específicos. Essa vegetação sensível é protegida, por isso é importante caminhar somente nas trilhas demarcadas.

A Þingvallakirkja (Thingvallakirkja) é uma pequena igreja localizada na área histórica do parque. Sua origem remonta ao século XI, embora a estrutura atual seja mais recente. O edifício simples reflete a tradição arquitetônica islandesa, com linhas discretas e integração à paisagem. Ao redor da igreja está um pequeno cemitério. Ali perto fica o Þingvallabær (Thingvallabaer), residência oficial de verão do primeiro-ministro da Islândia. Trata-se de um conjunto de casas brancas com telhados escuros, contrastando com a paisagem verde. O espaço é utilizado para recepções oficiais e eventos governamentais.

A Peningagjá é uma abertura rochosa conhecida como “fenda das moedas”, onde visitantes costumavam jogar moedas fazendo pedidos. Hoje, a prática é desencorajada para preservar o ambiente natural. A fenda é parte do sistema de falhas geológicas do parque e ajuda a visualizar o afastamento das placas tectônicas. Uma passarela permite observar o local com segurança.

O processo de separação das placas da América do Norte e da Eurásia continua em andamento, com um afastamento de alguns milímetros por ano. Poucos lugares no mundo permitem observar esse fenômeno tão claramente em terra firme. Por isso, o Parque Nacional de Þingvellir funciona como uma verdadeira aula de geologia a céu aberto. As falhas, fendas e paredões rochosos visíveis são resultado direto dessa movimentação.

Quem visita o parque deve estar disposto a fazer uma boa caminhada, ainda que seja para conhecer o básico. As trilhas são bem definidas, com níveis de dificuldade baixos a moderados. É possível fazer percursos curtos, de 30 minutos, ou caminhadas mais longas ligando vários pontos de interesse. A mais famosa é a Langistígur. Como o terreno é relativamente plano na maior parte do tempo, não há nenhum desafio no trajeto. Mas recomenda-se o uso de calçados impermeáveis e roupas adequadas, especialmente nos dias de chuva e com o desgelo.

Seguindo em direção ao norte, encontra-se a Öxarárfoss. Ela é formada pelo rio Öxará, que foi desviado artificialmente séculos atrás. A queda d’água não é muito alta, mas está situada em um cenário impressionante, cercada por paredões rochosos. No inverno, a cachoeira pode congelar parcialmente, criando um visual completamente diferente. O acesso é fácil, principalmente para quem para o carro no estacionamento P2.

Para fazer a caminhada completa pelo Flekaskilin, são percorridos cerca de 2 km de comprimento somente de ida. O nome pode ser traduzido como “separação das placas”, já que ali é possível observar claramente os dois lados. Trata-se de um corredor natural formado por rochas, fendas e paredões, criado ao longo de milhares de anos pelo afastamento gradual dos continentes.

O Alþingi (Althingi) é o parlamento da Islândia e é considerado o mais antigo do mundo ainda em funcionamento, fundado no ano 930 d.C. Ele surgiu como uma grande assembleia ao ar livre, onde chefes locais e representantes se reuniam para criar leis, resolver disputas e tomar decisões políticas. As reuniões aconteciam uma vez por ano e podiam durar várias semanas, reunindo centenas de pessoas. Com o passar dos séculos, o sistema evoluiu e foi transferido para Reykjavík, onde funciona até hoje.

A Snorrabúð (Snorrabud) é o local onde ficava o abrigo temporário usado por Snorri Sturluson, uma das figuras mais importantes da história medieval islandesa, durante as reuniões do parlamento. Eram montadas estruturas simples de pedra e turfa para se alojar, negociar e participar das decisões políticas. Dessa parte histórica, o que pode ser visto são apenas vestígios. Ao seu lado fica o Drekkingarhylur, conhecido como “Piscina do Afogamento”. Esse local foi usado entre os séculos XVI e XVIII para a execução de mulheres condenadas por crimes considerados graves na época, como adultério e infanticídio. Elas eram afogadas nas águas profundas da fenda rochosa, enquanto os homens geralmente recebiam outras penas. Algumas placas explicativas ajudam a entender o contexto jurídico e social da Islândia medieval.
