Esse ano, minhas leituras passaram por gêneros bastante diferentes, da fantasia épica à ficção científica, do romance contemporâneo ao suspense psicológico, além de obras de não ficção e literatura brasileira. Algumas escolhas foram influenciadas por adaptações para filmes e séries, outras por viagens e interesses momentâneos. Nesta retrospectiva, reúno breves impressões sobre cada livro lido ao longo do ano.

O cavaleiro dos sete reinos – George R. R. Martin
Na preparação para assistir mais uma série no universo de Game of Thrones, li este livro que reúne contos sobre as viagens de um cavaleiro errante de origem humilde e seu jovem escudeiro. A narrativa flerta com a comédia e tem uma escala mais intimista, focando em torneios, disputas locais e dilemas morais, ao mesmo tempo em que antecipa conflitos políticos maiores.

O menino Nelson Mandela – Viviana Mazza
Já li algumas biografias, mas achei esta diferente por ser voltada para um público mais jovem. Com linguagem simples, o livro apresenta a infância de Nelson Mandela, mostrando como suas origens, vivências familiares e o contato com tradições africanas moldaram sua visão de mundo. Além disso, introduz de forma acessível temas como justiça, desigualdade e identidade.

Pessoas normais – Sally Rooney
Gosto de ler os livros antes de assistir às adaptações feitas para filmes e séries, e foi o caso deste romance que acompanha a relação entre duas pessoas desde a adolescência até a vida adulta. A narrativa sensível explora encontros e desencontros, tratando de intimidade, comunicação e diferenças de classe social, e mostrando como esses fatores podem afetar profundamente as relações.

Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva
Depois de ler Ainda estou aqui no ano passado, resolvi pegar este livro do mesmo autor. Misturando humor, dor e reflexão, ele relata o acidente que o deixou tetraplégico e o processo de adaptação à nova realidade. A narrativa aborda juventude, relações familiares e o impacto físico e emocional da deficiência, sem recorrer ao tom melodramático, dentro do contexto social e político do Brasil durante a ditadura.

Com viagem marcada para a Islândia, resolvi ler um livro de um autor local. A trama acompanha uma investigadora veterana prestes a se aposentar que se envolve em um caso antigo e mal resolvido, combinando investigação policial com reflexões sobre envelhecimento, isolamento e falhas institucionais. A atmosfera sombria, marcada pelo clima extremo e pela paisagem islandesa, privilegia a construção psicológica dos personagens.

De onde eles vêm – Jeferson Tenório
Um jovem negro ingressa em uma universidade pública e passa a lidar com o racismo estrutural presente em espaços que, teoricamente, deveriam ser inclusivos. O texto discute identidade, pertencimento e desigualdade social a partir de experiências cotidianas, com uma narrativa direta e incômoda que convida o leitor a refletir sobre privilégios e exclusões naturalizadas na sociedade brasileira.

Neste caso, fiz o caminho inverso do que me é mais comum: vi primeiro o filme, que me agradou, e depois li a obra original. A história se passa em um futuro de colonização espacial, no qual trabalhadores “descartáveis” são enviados para missões perigosas e clonados após a morte. A obra mistura ficção científica com humor ácido, discutindo identidade, ética e o valor da vida em sistemas altamente utilitaristas.

Este livro também virou filme, mas ainda não assisti. Pelo material original, confesso que não espero nada muito interessante. O suspense acompanha uma jovem que aceita trabalhar como empregada doméstica na casa de uma família aparentemente perfeita, onde, aos poucos, pequenas situações revelam tensões, segredos e jogos de poder. Não gostei!