O Jalapão é uma região brasileira de notável diversidade geográfica e riqueza natural. Ocupa uma área aproximada de 34 mil quilômetros quadrados no lado leste do estado do Tocantins, abrangendo integral ou parcialmente os municípios de Mateiros, Ponte Alta do Tocantins, São Félix do Tocantins, Novo Acordo, Lizarda, Lagoa do Tocantins e Santa Tereza do Tocantins.

O relevo é caracterizado predominantemente por chapadas, serras, planaltos e depressões intercaladas por vales e cursos d’água. Na Serra do Espírito Santo, os paredões verticais de arenito, que chegam a ultrapassar 800 metros de altitude, destacam-se na paisagem plana do cerrado e oferecem vistas panorâmicas impressionantes. Sua formação geológica é resultado de milhões de anos de processos erosivos, que moldaram platôs e escarpas hoje cobertos por vegetação típica da região.

Além de sua importância cênica e ecológica, a serra é o ponto de partida para uma das trilhas mais procuradas do Jalapão: a caminhada ao mirante do nascer do sol. O percurso exige esforço moderado, mas recompensa os visitantes com uma paisagem inesquecível, em que o primeiro raio de luz do dia ilumina lentamente os campos ao redor, criando um espetáculo visual de rara beleza e profundo significado espiritual para muitos.

Também se destacam as dunas de areia dourada, criadas a partir da erosão de rochas areníticas das serras vizinhas. A ação contínua dos ventos, das chuvas e das altas temperaturas fragmenta essas rochas, acumulando grãos de areia na base das serras ao longo dos anos. Com até 40 metros de altura, as dunas exibem uma coloração alaranjada vibrante, que varia conforme a luz do sol, e contrastam com os cursos d’água, as veredas e a vegetação ao redor, formando um ambiente de rara beleza e rica biodiversidade. Por sua sensibilidade ecológica, o acesso é controlado, com regras específicas de visitação para evitar danos ao ecossistema.

Um dos momentos mais memoráveis para quem visita a região é assistir ao pôr do sol no topo das dunas. A trilha leve até o alto é conduzida por guias locais e oferece uma vista panorâmica das paisagens do parque. O espetáculo natural do entardecer, com o céu tingido de tons alaranjados, rosados e lilases, proporciona uma atmosfera de tranquilidade e contemplação, intensificando a conexão com a natureza. Esse passeio é considerado um dos pontos altos da experiência no parque, sendo amplamente incluído nos roteiros turísticos da região.

A região possui abundância de recursos hídricos, o que contrasta com a aridez típica do cerrado. Essa riqueza é explicada pela combinação entre relevo acidentado, solos arenosos e a alta capacidade de infiltração da água das chuvas, que alimenta uma complexa rede de rios, nascentes e aquíferos. Entre os principais cursos d’água estão o Rio Novo, conhecido por suas águas cristalinas e praias de areia clara, e o Rio Sono, famoso por suas corredeiras e ideal para esportes aquáticos.

O Jalapão abriga diversas praias de água doce que surgem naturalmente durante a estação seca, quando o nível dos rios diminui. Locais como a Praia do Rio Novo e a Praia da Velha, próxima à Cachoeira da Velha, são bastante procurados para banho, descanso e contemplação. Os recursos hídricos desempenham papel essencial na manutenção da biodiversidade, no sustento das comunidades locais e no fortalecimento do turismo ecológico. Por sua importância ecológica e socioeconômica, a preservação dessas águas e das áreas de vegetação ripária é prioridade nas políticas ambientais voltadas à conservação do parque e de suas zonas de entorno.

As cachoeiras de água cristalina estão entre os atrativos naturais mais impressionantes da região. Formadas por rios de correnteza limpa e abundante, essas quedas d’água variam entre grandes volumes e quedas suaves, muitas vezes cercadas por vegetação nativa do cerrado. Entre as mais conhecidas estão a imponente Cachoeira da Velha, com cerca de 20 metros de altura e aparência semicircular que lembra as Cataratas do Iguaçu em menor escala, e a Cachoeira do Formiga, famosa por sua água verde-esmeralda, ideal para banho e contemplação. Outras quedas, como a Cachoeira das Araras, também oferecem trilhas de fácil acesso, piscinas naturais e espaços sombreados que favorecem a visitação.

Mas os atrativos mais famosos são mesmo os fervedouros, formados pelo surgimento de águas subterrâneas sob pressão em áreas de solo arenoso. Esse tipo de nascente ocorre quando a água, vinda do lençol freático, encontra uma camada de areia fina e solta. A pressão exercida pela água empurra a areia para cima e cria uma nascente borbulhante, com fluxo constante. O resultado é uma piscina natural de água extremamente limpa e transparente, onde a pressão impede que uma pessoa afunde, proporcionando a curiosa sensação de flutuação mesmo sem esforço.

Além de sua singularidade geológica, os fervedouros se tornaram um dos principais atrativos turísticos da região, atraindo visitantes em busca de experiências de contato direto com a natureza. Cada fervedouro possui características próprias, como tamanho, profundidade, tonalidade da água e volume de borbulhamento, o que estimula os turistas a conhecer mais de um durante a viagem. Locais como o Fervedouro Bela Vista, o Fervedouro do Ceiça e o Fervedouro Buritizinho figuram entre os mais visitados.

O parque apresenta vegetação predominante de cerrado, considerado o segundo maior bioma do Brasil. A flora é composta por uma variedade de gramíneas, arbustos e árvores retorcidas, adaptadas ao clima seco e aos solos pobres em nutrientes. Em áreas próximas aos cursos d’água, ocorrem matas ciliares e veredas, com destaque para a presença de buritis, palmeiras típicas da região. Na fauna da região, é possível encontrar espécies como o lobo-guará, a onça-parda, o tamanduá-bandeira, o tatu-canastra e diferentes tipos de cervos. A avifauna também é expressiva, com araras, tucanos, seriemas e gaviões entre as aves mais observadas. Muitos desses animais vivem em áreas de difícil acesso e são mais ativos no início da manhã ou ao entardecer, o que exige atenção e sorte dos visitantes que desejam avistá-los em seu habitat natural.

O clima é classificado como tropical sazonal, com duas estações bem definidas ao longo do ano: uma chuvosa, que vai de outubro a abril, e outra seca, de maio a setembro. As temperaturas médias variam entre 20 °C e 35 °C, podendo ultrapassar os 40 °C nos meses mais quentes, especialmente entre setembro e novembro. A umidade relativa do ar também apresenta variações significativas, sendo mais elevada no período chuvoso e bastante baixa durante a seca, o que contribui para a sensação de calor intenso. As chuvas se concentram em tempestades rápidas e intensas, com volumes que podem ultrapassar 1.500 mm ao ano, enquanto na estação seca a precipitação é mínima ou praticamente inexistente.

A melhor época para visitar o Jalapão é durante a estação seca, entre os meses de maio e setembro, quando as estradas de terra estão em melhores condições, o acesso aos atrativos é mais seguro e o céu permanece limpo na maior parte do tempo, favorecendo passeios ao ar livre e belas paisagens para fotografia. É também nesse período que se formam as praias de água doce às margens dos rios, um diferencial da experiência na região. Embora o calor possa ser intenso, a baixa umidade e a ausência de chuvas tornam a viagem mais confortável.

Para quem deseja vivenciar as cachoeiras em seu maior volume ou observar a vegetação mais verdejante, os meses de transição, abril e outubro, também podem ser boas opções, embora impliquem maior risco de chuvas e trechos de estrada escorregadios. Viajar em maio ou no começo de junho ainda permite encontrar quedas d’água com bom volume, mas as cachoeiras intermitentes ou efêmeras, já começam a secar e até desaparecer. Nos meses seguintes, o ambiente vai ficando mais árido até a volta das chuvas, em outubro.
A geografia do Jalapão contribui diretamente para sua relevância ecológica, turística e cultural. Sua localização estratégica entre diferentes ecossistemas do cerrado e sua relativa preservação tornam a região um verdadeiro refúgio de biodiversidade e um laboratório natural para estudos ambientais, climáticos e sociais. No mapa interativo acima, estão marcados todos os atrativos que eu visitei no Jalapão. Vale a pena consultá-lo para ter uma noção da distribuição, distâncias e acessos a cada um dos pontos turísticos.
Quem vai de passeio guiado não precisa se preocupar com boa parte das pesquisas e planejamentos, já que as agências fecham pacotes completos. Já para quem vai por conta própria e quer ter total liberdade na programação da viagem, é preciso verificar as hospedagens na região, fazer reservas em atrativos, planejar paradas estratégicas para almoço e aspectos logísticos adicionais.
