Jalapão – Como planejar sua viagem

Eu sempre faço uma boa pesquisa na internet antes de viajar. Embora dê um pouco de trabalho – ou até muito, dependendo da complexidade do planejamento – isso garante uma viagem mais tranquila, proveitosa e até mesmo econômica.

Pedra da Catedral

Como eu tenho uma grande liberdade em definir a data das minhas férias, uma das primeiras coisas que eu olho é a melhor época para conhecer o destino. No caso do Jalapão, a minha maior preocupação foi viajar na estação seca, que vai de maio a setembro. Nessa época, as estradas de terra e trilhas ficam bem mais acessíveis. Além disso, como a imensa maioria dos passeios é feita ao ar livre, a chuva atrapalha bastante. Eu escolhi o comecinho do mês de junho, quando o tempo já está firme, mas a vegetação continua exuberante e o volume de água nos rios está alto.

Reservar este passeio

Definida a época, procurei por agências que oferecessem o passeio. Uma das opções que encontrei foi o Tour pelo Parque Estadual do Jalapão, com duração de três a seis dias – como eu queria aproveitar ao máximo o destino, escolhi fazer a viagem mais longa. A programação das companhias não muda muito, com pequenas variações nos atrativos visitados. O diferencial fica por conta do atendimento, do tamanho do grupo e do nível das hospedagens.

Hospedagens na região

Embora ainda seja um lugar considerado rústico, o Jalapão tem sido bastante modificado pelo seu potencial turístico. Isso pode ser visto na crescente variedade de opções de hospedagem, com hotéis, casas, apartamentos, albergues, áreas de camping e outros. Essas opções vão desde aqueles lugares em que você economiza e conta somente com um lugar para dormir até pousadas mais luxuosas, com piscinas aquecidas, restaurantes de qualidade e outros mimos. Como os passeios podem ser bastante cansativos, considere investir um pouco mais para ter um bom descanso durante a noite.

Carro 4×4

Como eu estava viajando sozinho, não cheguei a considerar a possibilidade de fazer tudo por conta própria. Mas essa é uma boa alternativa para quem tem espírito aventureiro e gosta de ter total controle sobre o roteiro da viagem. Para isso, recomendo alugar um carro grande e com tração 4×4. Mesmo com a pavimentação de alguns trechos, ainda é preciso passar por diversas estradas de terra para ter acesso aos principais pontos turísticos. Importante notar que muitos atrativos exigem reserva antecipada e alguns até mesmo o acompanhamento de um guia local.

Vista geral da cidade de Palmas, Tocantins, no Brasil.
Cidade planejada

Seja contratando uma agência de viagens ou indo por conta própria, a viagem começa por Palmas, a capital do estado do Tocantins. Com o maior aeroporto da região, a cidade funciona como principal ponto de entrada para os turistas. Como a maior parte das saídas acontece bem cedo pela manhã, o ideal é pousar um dia antes e passar pelo menos uma noite por lá. Eu acabei ficando um dia a mais, tanto na ida quanto na volta, para conhecer as suas praias de água doce e outros atrativos.

Estrada de terra

O passeio começa com uma viagem longa de carro, algo que se repetirá ao longo dos dias seguintes. Como os atrativos ficam afastados uns dos outros, é comum ficar muito tempo na estrada, muitas vezes com trechos com mais de duas horas. Isso significa ficar sem acesso a banheiro por um bom tempo, então nunca saia da hospedagem ou dos atrativos com a bexiga cheia, ou será preciso fazer um pit stop no mato.

Lanches e bebidas

Embora as agências incluam café da manhã, almoço e jantar no pacote e  façam pausas para alimentação complementar ao longo do dia, recomendo levar seu próprio lanche para enganar a fome em horários aleatórios. Também é importante reabastecer a garrafa de água sempre que possível – leve um recipiente térmico para manter a bebida em temperatura fresca.

Internet limitada

Eu fiz essa viagem em 2024 e, embora use uma das operadoras com cobertura mais abrangente no país, simplesmente não tive acesso à rede de celular durante toda a minha estadia no parque. Alguns restaurantes ou atrativos pelo caminho ofereciam uma conexão extremamente lenta e/ou paga, então eu só tinha internet mesmo a noite, quando chegava na hospedagem. Eu encarei como um detox digital, mas quem tem necessidade de ficar conectado com uma frequência maior deve levar esse aspecto em consideração. Recomendo pesquisar qual operadora está com melhor cobertura na região e, caso seja necessário, adquirir um plano temporário.

Proteção ao sol

Com o calor intenso que é característico da região e uma boa parte dos passeios com exposição direta ao sol, é preciso uma atenção maior ao vestuário. Recomendo levar roupas leves com proteção aos raios solares e que sejam fáceis de lavar/secar. Eu, particularmente, sempre tento viajar com o mínimo de bagagem possível e, no caso do Jalapão, a orientação é que cada viajante só pode levar uma mala/bolsa pequena – nem todos respeitaram essa regra.

Vista do mirante

O que poucos sabem é que a temperatura costuma cair consideravelmente durante a noite. Além disso, há a opção de fazer um passeio para ver o nascer do sol que exige sair de madrugada. Por isso, recomendo levar uma blusa de frio, pode ser bem leve. Falando nisso, durante os percursos de carro em que há troca de hospedagem, as bagagens vão na parte superior do veículo e ficam inacessíveis. Tudo o que você precisar usar durante o dia deve ir em uma mochila ou bolsa que possa ficar no colo ou aos seus pés.

Roupas e acessórios

O uso de acessórios também é indispensável para viajar com maior conforto. Inclua aí bonés, chapéus com proteção uv, óculos de sol e o que mais achar necessário. Em muitos pontos, como fervedouros, cachoeiras, lagoas e praias de água doce, vamos entrar na água. Não se esqueça de levar uma toalha compacta – as de microfibra funcionam bem.

Foto com rocha na parte superior e lagoa com água transparente e azul na parte inferior, com homem no centro e perna distorcida embaixo d'água.
Sapatilhas aquáticas

Por fim, tem alguns itens opcionais que fazem bastante diferença. No passeio da Lagoa do Japonês, é recomendado o uso de sapatilhas aquáticas, visto que as pedras são muito afiadas e podem cortar os pés. Até dá para alugar lá, mas o preço é alto e costuma faltar. Eu preferi levar e usei também para algumas trilhas e nas cachoeiras. Também levei meu próprio snorkel, que permite uma visão subaquática. Por fim, para quem não sabe nadar, vale a pena considerar comprar um colete salva-vidas.

Fervedouro das Maraúbas

Acredito que todos que visitam atrativos tão lindos queiram fazer registros de sua passagem. Um item essencial para tirar boas fotos é a capa para celular à prova d’água. Eu recomendo comprar antes da viagem porque, mesmo que você encontre alguém vendendo por lá, dificilmente vai ser um produto de boa qualidade. Além de não entrar água, busque uma com cordinha e sempre use em volta do pescoço ou enrolada no pulso. Se o celular cai em um fervedouro ou rio, as chances de resgatar são muito pequenas.

Pôr do sol nas dunas

Falando em água – e voltando ao tema do clima – não é permitido entrar nos fervedouros, rios e lagoas usando produtos na pele, como protetor solar e repelente de mosquitos. Isso porque os componentes químicos desses produtos contaminam a água. Uma alternativa possível é comprar um protetor solar com filtros minerais e repelentes naturais, lembrando de aplicar com pelo menos 30 minutos de antecedência, para permitir a absorção na pele antes de se molhar.

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No mapa interativo acima, estão marcados todos os atrativos que eu visitei no Jalapão. Vale a pena consultá-lo para ter uma noção da distribuição, distâncias e acessos a cada um dos pontos turísticos. As minhas hospedagens foram nas cidades de: Ponte Alta do Tocantins, que faz parte das Serras Gerais e ainda está fora do parque; Mateiros, o maior e mais bem estruturado ponto de apoio para quem visita a região; e São Félix do Tocantins, já na parte norte e caminho de volta para a capital tocantinense.

Quem vai de passeio guiado não precisa se preocupar com boa parte das pesquisas e planejamentos, já que as agências fecham pacotes completos. Já para quem vai por conta própria e quer ter total liberdade na programação da viagem, é preciso verificar as hospedagens na região, fazer reservas em atrativos, planejar paradas estratégias para almoço e outros detalhes. Espero ter ajudado!

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