Jalapão – Comunidade Quilombola do Mumbuca

O Jalapão ficou famoso nas redes sociais com as fotos dos fervedouros, que chamam a atenção com as suas águas cristalinas brotando na areia e cercadas de vegetação, como um oásis. Pouco se fala, entretanto, do povo que habita a região. Por isso, as agências de turismo têm incluído visitas a comunidades locais.

Reservar este passeio

No Tour pelo Parque Estadual do Jalapão, que pode ser feito com duração de três a seis dias, está prevista uma dessas visitas. Ela também pode ser feita por conta própria, sendo importante alugar um carro maior e com tração 4×4 para percorrer com segurança as estradas de terra que dão acesso aos atrativos.

Vida no interior

A Comunidade Quilombola de Mumbuca está localizada no coração do parque, bem próxima aos fervedouros mais famosos. Trata-se de um quilombo fundado em 1909 por descendentes de escravizados que vieram da Bahia e se misturaram com povos indígenas. A palavra mumbuca vem de um tipo de abelha da região.

Construção típica

Ao chegar ao local, logo percebemos que se trata de uma comunidade pequena e simples. Conversando com os moradores, logo descobrimos que ela passou por grandes transformações nos últimos anos com o descoberta do capim-dourado, a instalação de energia elétrica e a chegada dos turistas. Atualmente, é possível até mesmo se hospedar em casas de adobe com palha e comer em um restaurante de comida caseira.

Vivência e cultura

A comunidade cultiva mandioca, milho, frutas e criações de subsistência, com divisão clara de papéis, em que os homens cuidam do trabalho na roça e as mulheres participam da colheita e do processamento. Um pilão com grãos demonstra como os alimentos eram preparados antigamente, mas hoje em dia se usam técnicas que facilitam bastante a vida.

Artesanato local

Esse é um exemplo do turismo de vivência, que permite aprender diretamente com os moradores sobre a cultura local. Em visitas guiadas, podemos ouvi-los contando suas histórias e participar de rodas de música como samba de roda, viola de buriti e cantigas tradicionais. Também são apresentadas peças de artesanato, cuja venda ajuda na subsistência da comunidade.

Conheça a história

Um dos pontos altos da visita é conhecer a história da comunidade, que continua lutando pelo direito sobre as terras e pela preservação ambiental. O turismo tem ajudado bastante, dando melhores condições de vida para a população. É impossível não se tocar pelos depoimentos, que emocionaram muitos integrantes do grupo.

Capim dourado

Um dos principais catalisadores das mudanças foi a descoberta do capim-dourado. Por volta da década de 1930, mulheres da comunidade começaram a aprender com mulheres do povo indígena Xerente uma técnica específica de costura com talos de capim-dourado usando palha de buriti como linha. Essa técnica foi passada oralmente e de geração em geração, tornando-se uma marca cultural da comunidade.

Variedade de produtos

Inicialmente, o capim-dourado era usado para fazer objetos domésticos e adornos simples para uso próprio. A beleza e o brilho começaram a chamar a atenção de viajantes e turistas na segunda metade do século XX. A partir dos anos 2000, com o crescimento do ecoturismo no Jalapão, as peças começaram a ganhar visibilidade nacional e internacional. Hoje, o material é símbolo da identidade local e base da economia de Mumbuca e outros povoados da região.

Variedade de produtos

Por lei, somente comunidades tradicionais podem realizar a colheita e comercializar produtos feitos com o capim, protegendo a origem cultural e os modos de vida locais. Uma curiosidade é que o material não pode ser colhido o ano todo. Existe uma regulamentação estadual que permite a coleta somente entre setembro e novembro, garantindo a sustentabilidade da planta. Para quem viaja em setembro, vale a pena se programar para participar da Festa da Colheita do Capim Dourado, que inclui cortejo, vaquejada, apresentações e músicas típicas.

Peças e preços

As peças são caras, mas o preço se justifica pela raridade do material, o trabalho manual que demanda bastante tempo e a originalidade das peças. É interessante perceber os diferentes estilos e formas de cada artesã. As mulheres, organizadas na Associação dos Artesãos e Extrativistas, lideram a produção e comercialização das peças, que incluem chapéus, vasos, bandejas, biojoias, abajures etc.

Eu coloquei no mapa interativo acima os atrativos que eu visitei durante a minha viagem, incluindo pontos dentro e fora do parque do Jalapão. Acho interessante dar uma olhada para entender como estão distribuídos os passeios, as distâncias a serem percorridas e por que vale a pena dedicar mais dias ao destino. Para quem vai viajar por conta própria, o recurso é imprescindível para um melhor planejamento.

A maioria dos viajantes usa Mateiros como base para os passeios nessa região. São pouco mais de 34 km de distância de lá até a comunidade. Já São Félix do Tocantins fica a quase 30 km. Recomendo dar uma olhada nas hospedagens da região, que vão desde as mais simples até opções com piscinas aquecidas e outros mimos.

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