Com uma paisagem tão impressionante, é natural que todos os visitantes da região queiram subir a pontos de vista privilegiados, como os mirantes próximos da cidade. Parte dessa caminhada está inclusa no passeio El Chaltén, Mirante de los Cóndores e Chorrillo del Salto, que sai de El Calafate e dura um dia completo. O próprio trajeto da viagem já tem seus atrativos, percorrendo uma estrada com campos de estepe e grandes lagos pelo caminho, além das montanhas da Cordilheira dos Andes.
Também pode ser incluída na programação de quem vai fazer trilhas mais longas em El Chaltén, como foi o meu caso. Eu fiquei hospedado lá por alguns dias e as caminhadas mais curtas serviram para cobrir espaços livres na agenda, alternando dias de maior e menor esforço. No caso desses mirantes, é possível ir caminhando a partir da cidade, já que o início da trilha fica, aproximadamente, a 750 metros da rodoviária.

Outra possibilidade, para aqueles que estão com um carro alugado, é parar no estacionamento próximo ao Centro de Visitantes. Ali há uma exposição bem simples sobre as montanhas e práticas esportivas. Além disso, dá para obter informações e pegar um folheto com os principais passeios. Também aproveitei para ir ao banheiro, pois, embora seja curta, a trilha completa leva algumas horas para ser percorrida com calma.
Para ter uma ideia melhor da localização e o caminho a ser percorrido, recomendo consultar o mapa interativo acima para fazer um planejamento antes mesmo da viagem. Ali estão destacados alguns pontos de referência encontrados pelas trilhas que fiz, além de restaurantes e o Nikeu Aparts, onde fiquei hospedado em El Chaltén. Para ver mais detalhes, basta aproximar com o zoom. Nesse dia, eu fui até a cachoeira Chorrillo del Salto de manhã, almocei no Ahonikenk Fonda Patagonica e parti para os mirantes no período da tarde.

Todas as trilhas que eu fiz durante a minha estadia na cidade foram percorridas por conta própria. Quando eu cheguei, fiquei um pouco inseguro com relação a isso, mas a boa estrutura local ajudou bastante. No caso de atrativos mais distantes ou em terrenos com maior complexidade, as partidas devem ser registradas. Não era meu caso, já que fiz apenas os passeios mais tradicionais. Além disso, o clima intenso também trazem mais dificuldades, principalmente com a chuva e acúmulo de neve. Felizmente, eu dei muita sorte e peguei dias bonitos, mas esse final de tarde estava nublado.

Após sair do Centro de Visitantes, percorri uns 400 metros no plano antes de começar uma subida tranquila. Ela não é muito íngrime e tem o caminho bem marcado, com terra batida. Como não tem pedras soltas, raízes de árvores ou degraus, o percurso pode ser considerado fácil até para pessoas que não estão acostumadas a fazer trilhas.

Com cerca de 500 metros de subida, cheguei a uma bifurcação devidamente identificada com placas que indicam dois mirantes. Eu fui primeiro para o da direita, já que fica bem mais próximo. Para quem está fazendo o passeio bate e volta, que parte de El Calafate e passa pelos atrativos mais acessíveis de El Chaltén, ele é o único a ser visitado.

Trata-se do Mirador de los Cóndores, que fica a uma distância total de 1,3 km a partir do Centro de Visitantes. A vista ali é voltada para o vilarejo e dá para entender como a comunidade se concentra em uma pequena área cercada por montanhas, com poucas ruas e construções baixas. De fato, El Chaltén pode ser totalmente percorrida a pé sem grande esforço.

Também se destaca na paisagem o Río de las Vueltas. Como o próprio nome indica, o curso d’água segue um caminho tortuoso e essa é a única área urbana por onde ele passa. Quem estiver interessado no turismo de aventura pode navegar pelo fluxo mais tranquilo com o tour de caiaque ou enfrentar as correntezas mais fortes com o rafting.

Obviamente, o grande destaque por ali são as montanhas da Cordilheira dos Andes que dominam a paisagem, com picos de pedra que contrastam com o branco da neve descendo pelas encostas. Quem tiver tempo e disposição pode fazer a Trilha de 2 dias pelo monte Fitz Roy, passando uma noite em um acampamento que fica antes da subida mais puxada.

Voltando à trilha dos mirantes, embora seja bem tranquila, é preciso estar atento às roupas de acessórios indicados para não passar aperto. Por mais que o clima esteja agradável, é importante levar roupas de frio porque o vento pode ser bem forte no topo dos morros. Além disso, um calçado adequado para caminhada e pelo menos um litro de água por pessoa são essenciais.

Esses cuidados são particularmente importantes para quem vai seguir até o Mirador de las Águilas. Voltando para a bifurcação vista anteriormente, basta pegar o caminho indicado para o outro lado e seguir a trilha marcada pela montanha. Ao todo, são dois quilômetros contando a partir do Centro de Visitantes, então é preciso ter mais tempo disponível e uma certa disposição. Apesar da distância maior, eu achei tranquilo chegar até lá porque a maior parte do caminho é plana depois daquela subida inicial.

Nesse caso, a vista é voltada para o impressionante Lago Viedma, que possui cerca de oitenta quilômetros de largura. O nome vem do explorador espanhol Antonio de Viedma, o primeiro europeu a chegar ao local, em 1783. O corpo d’água é abastecido pelo derretimento do glaciar de mesmo nome. Posteriormente, o lago tem uma vasão que alimenta o Río Leona e vai dar no também impressionante Lago Argentino, em cujas margens fica a cidade de El Calafate.

Depois de passar um tempinho por ali apreciando a vista e, como o próprio nome dos mirantes indica, ver alguns condores e águias, deu a hora de fazer o caminho de volta para a cidade já no finalzinho da tarde. É bom se programar bem para voltar antes de escurecer, já que não há nenhuma iluminação até chegar na área urbana. Até a minha hospedagem, no Nikeu Aparts, a distância era de 3,5 km.
