A grande camada de gelo que se acumula no alto das Cordilheira dos Andes e desce pelas montanhas em direção aos bosques e lagos da Patagônia Argentina são o tema desse museu, que fica nos arredores de El Calafate.
O Glaciarium – Museo del Hielo Patagónico, criado em 2011, tem o intuito de promover o conhecimento sobre o assunto e incentivar a preservação do ambiente. O conteúdo é trabalhado com recursos sonoros e audiovisuais, além de textos com dados geográficos e históricos. Eu não diria que se trata de uma visita essencial, mas é uma boa opção para quem tem algum tempo livre e quer diversificar os passeios na região. O ingresso antecipado pode ser comprado antecipadamente ou direto no local.

O Glaciarium está a cerca de 8 km do centro da cidade e é bem tranquilo para chegar indo por conta própria em um carro alugado. Para quem não está motorizado, a melhor opção é pegar o transfer gratuito que sai do estacionamento que fica em frente à Secretaria de Turismo de Santa Cruz, próxima à Avenida del Libertador, que corta o centro da cidade. Tem ali uma placa indicando onde se deve formar uma fila. Mais importante que isso, tem uma lista dos horários de saída, em intervalos de trinta minutos ou uma hora a partir do meio dia. Ao entrar no veículo, importante observar os horários de volta.

É comum vermos a estrutura do museu quando estamos na estrada, indo em direção ao Parque Nacional Los Glaciares, principal atrativo da região. Vale a pena dar uma parada no museu para entender melhor o que é visto durante esses passeios. Inclusive, a arquitetura foi pensada para fazer uma referência aos grandes paredões de gelo dos glaciares, com relevos e texturas muito específicos.

Como eu fui no horário de almoço e estava com um pouco de fome, antes mesmo de visitar a exposição eu quis passar no Café Glaciarium para fazer um lanche. Além de ter boas opções gastronômicas, incluindo a tradicional empanada de cordero, ele tem uma bela vista do Lago Argentino e um ambiente bastante agradável.

Eu pedi uma promoção que vinha um sanduíche de presunto cru, queijo, rúcula e tomate acompanhado de uma taça de vinho patagônico. Considerando o desvalorizado peso argentino, saiu barato e era bem servido. Não tenho como dizer os valores atuais porque a economia do país anda uma loucura, com inflação descontrolada e diversas outras questões. Mas usei o cartão internacional de débito com a cotação vantajosa do dólar paralelo e achei em conta.

Partindo para a exposição do museu, eu achei interessante o uso de luzes, sons e cores para criar uma atmosfera que transporta o visitante para os glaciares. Há algumas telas interativas que ajudam a visualizar as transformações naturais que são citadas pelos guias durante os passeios no parque. Os painéis com fotos e textos descrevem a formação do gelo, dados geográficos e a história dos exploradores e cientistas que descobriram e estudaram a região. No fim das contas, achei coisa demais para ler e acabei saltando algumas partes.

Uma área especial é dedicada a Francisco Pascasio Moreno, que trabalhou nas áreas da paleontologia, arqueologia e antropologia. Participando de diversas expedições pela Patagônia na segunda metade do século XIX, foi muito importante para o desbravamento da região, a valorização dos povos de etnia indígena, a definição da fronteira entre a Argentina e o Chile e diversas outras questões. Não à toa, foi homenageado com o nome do Glaciar Perito Moreno, o mais bem estruturado para visitas turísticas na região.

Por fim, o museu ainda conta com um auditório e uma sala de exposições temporárias, onde são feitas mostras itinerantes de fotografias e pinturas. Essa área também pode ser usada para a realização de eventos diversos. Como não podia faltar, na saída dá para conferir a loja, que comercializa itens diversos como livros, lembrancinhas de viagem e até mesmo sabonetes e cremes de origem vegetal. Muitos deles são produtos argentinos criados com consciência ecológica.

Por fim, também aproveitei para conhecer o Glaciobar. Como o próprio nome indica, trata-se de um barzinho que funciona em um ambiente congelado, proporcionando a sensação de estar dentro de um autêntico iglu. O ingresso é adquirido na bilheteria do próprio museu, sendo cobrado à parte da visita à exposição principal.

Primeiro entramos por uma sala onde são colocados um casaco especial e luvas, além de passarem algumas instruções básicas. Após entrar no bar, a uma temperatura de 10°C abaixo de zero, podemos nos deliciar com os shots de bebida que estão inclusos na experiência. A música e a iluminação complementam o clima descontraído.

Mas o mais interessante é que tudo ali é feito de gelo, incluindo um trono que vai agradar aos fãs de Game of Thrones – parece que o inverno finalmente chegou. Eu aproveitei para tirar diversas fotos. Como o espaço é bem pequeno, não tive problemas em registrar todos os cantinhos rapidamente, já que só é permitido ficar no local por cerca de vinte minutos. Quem quer ter uma experiência desse tipo mas não planeja ir até o museu, pode ir ao Yeti Ice Bar, que se encontra na avenida principal, no centro da cidade.

Toda a visita durou poucas horas e eu já estava pronto para ir embora, bastando apenas esperar a saída transfer de volta para El Calafate. Nesse tempo, ainda aproveitei para apreciar e registrar a bela vista das montanhas e do lago perto da hora do pôr-do-sol.
