As ruínas da antiga cidade de Pompeia são um dos atrativos mais procurados na Itália, tanto pelos monumentos, casas e outras instalações, retrato de uma época específica do Império Romano, quanto pela curiosidade em torno de sua destruição. Quando eu fiz a visita ao local, eu estava hospedado na cidade de Nápoles, que usei de base para fazer passeios bate e volta pela região.
Dali sai a Excursão a Pompeia, que busca os viajantes em sua hospedagem, na estação de trens ou no porto. Além do transporte e do ingresso prioritário, também já está inclusa a visita guiada, que pode ser adquirida à parte por quem já estiver na área. Ela permite conhecer bem mais profundamente a história do local, incluindo informações sobre o modo de vida, a tragédia e os trabalhos de restauração.

Sem isso, o passeio acaba perdendo parte do seu sentido, se limitando à circulação por uma série de ruínas, ainda que alguns dos monumentos mais grandiosos chamem a atenção. Obviamente, é possível fazer tudo por conta própria, mas isso exige mais pesquisa e planejamento. Para quem deseja economizar o máximo, a entrada é gratuita no primeiro domingo de cada mês. Também dá para chegar ao local de transporte público, se atentando para os horários de saída do trem. A estação mais próxima é chamada Pompei Scavi – Villa dei Misteri.

Embora bastante econômica, essa opção tem seus pontos negativos, como maiores períodos de espera e vagões lotados na alta estação. Em contrapartida, dão mais liberdade na programação, como fazer o passeio no seu próprio ritmo e incluir outros destinos em um mesmo dia. Eu, por exemplo, também visitei o Parco Archeologico di Ercolano e fiz a trilha até a cratera do Monte Vesúvio. É bastante cansativo, mas vale a pena.

Ao sair da estação, já é possível entrar pela Porta Marina, mas tem outro acesso também próximo, na Piazza Esedra. Eu recomendo comprar o bilhete com antecedência na página oficial, onde também podem ser encontradas outras informações, como dias e horários de funcionamento, mapas e guias. Mesmo para o ingresso gratuito vale a pena fazer a reserva antes, pois o parque pode ser fechado por um período de tempo caso fique lotado. A outra entrada principal é mais chamada Piazza Anfiteatro e fica um pouco mais distante. Além disso, há diferentes pontos de saída.

Pompeia foi uma rica cidade romana que ficou soterrada por metros de cinzas vulcânicas após a destruidora erupção do Vesúvio em 79 d.C., garantindo a preservação de prédios públicos grandiosos, casas luxuosas com decorações e móveis bem trabalhados e outros estabelecimentos diversos. Originalmente à beira do mar, a cidade agora fica a uns 700 metros do litoral, já que a faixa de terra aumentou com o material expelido pelo vulcão.

Seus moradores estavam acostumados a pequenos tremores de terra, mas um terremoto severo em 62 d.C. causou danos consideráveis, com desabamento de estruturas e vários pontos de incêndios. Os anos seguintes foram marcados por muitas obras de reconstrução no setor público, aproveitando a oportunidade para fazer melhorias e expansões. Mas logo veio a erupção de 79 d.C., que durou dois dias e pode ser dividida em duas fases. A primeira foi uma chuva de pedras, o que permitiu que a maioria dos moradores fugisse, inclusive levando seus pertences mais valiosos.

De fato, foram encontrados pouco mais de mil corpos na área, alguns deles com moedas, pratarias e joias. Eles foram vítimas de um segundo momento, quando o Monte Vesúvio começou a expelir nuvens de cinzas, causando destruição e a morte da população restante devido às altas temperaturas e, em alguns casos, ao sufocamento. Juntamente com a cidade, objetos de madeira e restos humanos foram soterrados. Como a matéria orgânica se decompôs e deixou vãos na terra, os arqueólogos puderam preencher os espaços com gesso e determinar a posição das pessoas em seus momentos finais de vida.

Posteriormente, sobreviventes e ladrões voltaram à cidade para saquear objetos de valor, como as estátuas de mármore e materiais nobres das construções públicas. Nesse momento, a cidade ainda não havia sido completamente enterrada e o topo das construções maiores podia ser visto, como do Foro, do Anfiteatro e do Quartieri dei Teatri. Depois, outras erupções acabaram tampando tudo e a cidade foi esquecida. Em 1592, obras de um aqueduto subterrâneo esbarraram em ruínas com pinturas e inscrições, mas os responsáveis não alardearam a descoberta. Somente no século seguinte, após algumas escavações, foi registrado que ali havia existido uma cidade.

Em 1738, foram descobertas as ruínas de Ercolano, outra comunidade nas proximidades, durante obras para a construção de um palácio para o rei de Nápoles, Carlos de Bourbon. Com o aumento do interesse, iniciou-se a pesquisa arqueológica e ambas as cidades foram identificadas, embora os trabalhos tenham sido interrompidos e reiniciados diversas vezes ao longo dos séculos, com diferentes objetivos, ritmos e disponibilidade de investimento. As descobertas seguem nos dias atuais, enquanto o local é visitado por milhões de pessoas anualmente. Nas últimas décadas, entretanto, algumas áreas foram fechadas para a visitação geral devido a preocupações com a conservação do patrimônio.

Depois de séculos protegida pela matéria vulcânica, Pompeia foi exposta a efeitos do tempo como chuva, vento e sol. As escavações e reconstruções, muitas vezes feitas de maneira inadequada, também introduziram plantas, animais, turismo e vandalismo, causando muitos danos ao patrimônio. Ainda assim, muitos detalhes interessantes podem ser observados durante a visita, como os afrescos que representam cenas eróticas dentro do lupanar, também conhecido como prostíbulo. Também foram encontrados inúmeros escritos em latin vulgar nas paredes, revelando a diferença entre a língua falada coloquialmente e os registros formais dos escritores clássicos.

Pompeia se tornou um destino turístico popular e grande parte da população local trabalha diretamente no Parco Archeologico di Pompei ou em atividades correlatas, como transporte, hospedagem e alimentação. Como eu fiz esse passeio em um dia de entrada gratuita no verão, estava bastante cheio, sem contar o calor. Até tem restaurante lá dentro, mas eu recomendo levar um lanche para não ter que enfrentar filas e acabar gastando mais. Também é preciso se hidratar. Eu tinha uma garrafinha d’água, que reabasteci em alguns pontos com fonte.

Recomendo ver a exposição com os objetos encontrados nos trabalhos arqueológicos no Antiquarium di Pompei. Também há diversas casas, como a Domus, algumas termas e áreas de fabricação de pães e outras comidas e bebidas. A área mais bem conversada é a Villa dei Misteri, que fica um pouco mais afastada e pode passar batida pelos visitantes que vão ao parque sem muito planejamento. Chama atenção uma série de afrescos de cores intensas que, acredita-se, mostram a iniciação de uma jovem em um culto de mistério greco-romano.

Como esse foi o último lugar por onde eu queria passar, aproveitei para usar a saída mais próxima, também chamada Villa dei Misteri. Estava fazendo um calor do cão nesse dia de verão, daí aproveitei para tomar um sorvete em um restaurante super charmoso e especializado em frutos do mar chamado Bacco e Arianna, que fica já do lado de fora e estava com pouco movimento no meio da tarde.

Nesse mesmo dia, eu já havia visitado o Parco Archeologico di Ercolano, outra cidade próxima que também foi devastada pelo vulcão, na parte da manhã. Outras atrações próximas são os sítios arqueológicos de Oplontis, Villa Regina, Villa Ariana, Villa San Marco e Regia di Quisisana, além do Museo del Parco Nazionale del Vesuvio, que é um bom complemento para entender a tragédia causada pela erupção. Aqueles que vão fazer a trilha até a cratera tem entrada inclusa nessa exposição.
Dá para combinar com um taxi ou pegar um ônibus de turismo até o Vesúvio – tem empresas oferecendo o serviço, que inclui a compra do ingresso, na porta do parque. Eu não tive tempo de conhecer os outros atrativos, mas quem tiver interesse pode procurar uma hospedagem na cidade e fazer tudo com mais calma.

