Capa do caderno Le voyage dans la Lune

Viagem à Lua ★★★★★

Título original: Voyage dans la Lune
Ano: 1902
Direção: George Méliès
Elenco: George Méliès, Bleuette Bernon, François Lallement, Henri Delannoy, Jules-Eugène Legris, Victor André, Delpierre, Farjaux, Kelm e Brunnet.

Georges Méliès é um dos mais importantes nomes do pioneirismo no cinema, com destaque para seus filmes fantásticos e cheios de efeitos especiais. Sua obra mais famosa, Voyage dans la lune, foi realizado em 1902, poucos anos depois da invenção da sétima arte. O roteiro teve inspirações diversas, incluindo os livros Da Terra à Lua e À volta da Lua de Júlio Verne e é considerado o primeiro filme de ficção científica da história. Como já está em domínio público, você pode conferir a obra completa no youtube.

A história mostra uma reunião de astrônomos onde Barbenfouillis propões uma expedição à lua, proposta que é aceita por Nostradamus, Alcofrisbas, Omega, Micromegas e Parafaragaramus. Após a construção de uma cápsula especial em forma de bala e um enorme canhão para arremessá-la no espaço, os astrônomos embarcam com a ajuda da Marinha, interpretada por várias mulheres uniformizadas. Após o pouso, realizado com sucesso, essa galerinha vive altas aventuras na lua, causando uma confusão para ninguém botar defeito quando encontram estranhas vegetações e seres alienígenas explosivos (sessão da tarde feelings).

A cena mais famosa do curta-metragem é da lua com as feições de um homem que tem um dos seus olhos atingidos pela cápsula. Para criar o efeito de aproximação da lua, Méliès movimentou o objeto e o ator, já que a câmera utilizada na época era bem mais pesada. A cápsula, que aparece repentinamente, foi inserida através de um corte na ação. Imagine que a cena está sendo filmada e o diretor grite “ESTÁTUA”, a gravação para pelo tempo suficiente de inserirem a cápsula na cena e então voltam a filmar.

Um dos mais complexos filmes feitos por Méliès, Le voyage dans la Lune possui vários cenários, figurinos, objetos de cena e vários efeitos especiais. Foi mais longo (cerca de quinze minutos) e caro (cerca de 10.000 francos) filme do diretor até então, levando três meses para ser produzido. De acordo com as recordações de Méliès, grande parte do custo do curta-metragem (na época longo) se deveu às partes com movimento mecânico do cenário e ao figurino dos selenitas, habitantes da Lua, feitos de cartolina e lona. Muitos dos efeitos especiais foram feitos com a técnica de “emenda de substituição”, quando a ação era parada para substituir algum objeto e a gravação era retomada, criando efeitos mágicos de desaparecimento e aparecimento, como descrito acima na famosa cena da lua sendo atingida no olho. Outro exemplo disso são os seres lunáticos que são substituídos por fumaça e outras pirotecnias.

Fotograma da versão colorida de Viagem à Lua
Fotograma da versão colorida de Viagem à Lua

Até 1993, não se tinha conhecido de nenhuma cópia colorida do filme, até que uma doação anônima de cerca de duzentos filmes mudos foi feita para a Filmoteca de Catalunya. Os filmes de Méliès eram geralmente coloridos pelo labotatório Elisabeth Thuillier, em Paris, onde cada trabalhador ficava responsável por uma cor a ser pintada manualmente quadro-a-quadro na celuloide do filme. As cores da bandeira da Espanha aparecem em uma das cenas, indicando que essa cópia foi feita para ser exibida no país.

Também não há certeza sobre a trilha sonora original do filme. Méliès tinha especial interesse pelas músicas que acompanhavam suas obras, mas não exigia que os exibidores seguissem qualquer regra, cabendo a cada um deles definir que trilha e/ou narração usar com os filmes. Em 1903, o compositor inglês Ezra Read publicou uma peça para piano intitulada A trip do the Moon: comic descriptive fantasia, que segue A viagem à Lua cena a cena e pode ter sido usada nas exibições.

A grande produção de Georges Méliès tem especial importância por suas inovações ao trabalhar elementos narrativos e assumir um tom fantasioso e satírico, mostrando os cientistas totalmente exagerados e inaptos para as tarefas que se propõem realizar, a lua com rosto antropomórfico e as transgressões das leis da física, contrastando com a maioria dos filmes feitos à época que se limitavam a mostrar pequenas cenas do cotidiano, funcionando como documentários etnográficos. Le voyage dans la Lune já foi considerado um dos 100 melhores filmes do século XX pela The Village Choice, ocupando o 84° lugar na lista. O sucesso que fez à época e sua importância para o desenvolvimento da sétima arte faz com que seja considerado um dos mais influentes filmes da história do cinema.

Cadernos "Voyage dans la lune"

Os cadernos Voyage dans la lune foram inspirados no filme de George Méliès, pioneiro do cinema e dos efeitos especiais, podendo ser adquiridos em formatos diversos de cadernos na Loja Viajento como parte da Coleção França.

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