Édith Piaf no filme biográfico La Môme

Piaf – Um Hino ao Amor ★★☆☆☆

Título original: La Môme
Ano: 2007
Direção: Olivier Dahan
Elenco:  Marion Cotillard, Sylvie Testud, Pascal Greggory, Emmanuelle Seigner, Jean-Paul Rouve, Jean-Pierre Martins, Manon Chevallier, Pauline Burlet, Marie-Armelle Deguy, Marc Barbé e Gérard Depardieu.

Pessoal do cinema adora fazer uma biografia, todo ano tem. O foco é, principalmente, em artistas ou personagens históricos que viveram episódios dramáticos em suas vidas, o que colabora com a trama do filme. Bom, o que não faltou na vida de Édith Piaf foram momentos dramáticos: nasceu pobre, foi abandonada pela mãe, o pai foi para a guerra, foi criada por prostitutas em um bordel, passou anos da infância cega, teve uma filha que morreu jovem, foi descoberta nas ruas e se transformou em uma grande cantora, era viciada em álcool e remédios para dormir, se envolveu em escândalos ao ser acusada de cúmplice em um assassinato e, depois, espiã na guerra, viveu muitos amores, sofreu acidentes de carro, se tornou dependente de morfina, enfim. É tanta coisa que o filme poderia se chamar Piaf – Um Hino à Desgraça. Ainda bem que ela não se arrepende de nada.

Maquiagem envelhece a atriz Marion Cotillard
Maquiagem envelhece a atriz Marion Cotillard

Eu que me arrependi de ter visto esse filme outra vez para relembrar, confirmar minhas opiniões e postar aqui no blog. Não que seja um total desperdício de tempo, na verdade ele tem seus momentos e vale a pena pela atuação primorosa de Marion Cotillard – mais uma atriz que ficou feia para um papel e ganhou o Oscar. A maquiagem, que a deixa com a testa maior, os dentes mais proeminentes e mostra o envelhecimento precoce da cantora devido aos seus abusos, deve ser citada como um dos pontos de destaque da obra e, não é a toa, garantiu prêmios para o filme.

Reconstrução de época do filme
Reconstrução de época do filme

Além disso, há um ótimo trabalho de direção de arte na reconstrução da época – 1915 a 1963, passando pela França, Normandia e Estados Unidos. A atriz mirim, que interpreta Piaf criança, também é ótima. Mas a obra peca na estrutura do roteiro – um vai e vem caótico entre a infância, juventude e vida adulta da cantora (todos deprimentes, com leves toques de sucesso), que só servem para deixar o espectador confuso e nada contribuem para a narrativa. A vontade que dá é pegar o filme e editar tudo de novo, colocando em ordem cronológica, para ver se faria um pouco mais de sentido.

Marion Cotillad interpreta Édith Piaf
Marion Cotillad interpreta Édith Piaf

Aliás, qual o sentido em deixar para o final do filme, como uma vaga lembrança delirante no leito de morte, a informação de que a cantora teve uma filha cuja educação negligenciou e que morreu aos três anos de idade? Parece que, no meio de tanta desgraça, os realizadores tentaram culpar e, automaticamente, redimir a cantora da culpa, mostrando o seu erro e seu o arrependimento em um só momento. Também nem chegam a citar o seu envolvimento com os alemães durante a Segunda Guerra Mundial, uma parte polemiquíssima de sua trajetória que, até hoje, é discutida – algumas pessoas afirmam que ela apoiava os alemães, enquanto outras a veem como importante para a resistência francesa.

Marion Cotillad interpreta Édith Piaf
Marion Cotillad interpreta Édith Piaf

E quantas vezes é preciso mostrar Piaf no palco, cantando parte de uma de suas músicas até que, sem fôlego, desmaia no chão? Se uma é pouco, duas é bom, três é demais. Mais que demais, beira o ridículo, fica brega. Fora que são desmaios tão falsos… As cenas dela cantando também não ficaram naturais, fica bem claro que a atriz está dublando uma música em playback. Deveriam focar em mostrar melhor alguns pontos importantes que foram deixados de lado na história de Piaf, senti falta de ver um maior envolvimento dela com a música, por exemplo. Além disso, era preciso amarrar as pontas soltas criadas pelo roteiro desconexo – alguns personagens importantes simplesmente desaparecem sem maiores explicações.

No fim das contas, embora seja interessante para conhecer a vida de uma das maiores cantoras francesas da história, o filme se sustenta mais pela trilha sonora (tinha como errar?) e a caracterização e atuação de Marion Cotillard – sempre curvada, expressiva, com gestual adequado à cantora.

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