O Corcunda de Notre Dame

O Corcunda de Notre Dame ★★★★☆

Título original: The Hunchback of Notre Dame
Ano: 1996
Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise.
Elenco: Tom Hulce, Demi Moore, Tony Jay, Kevin Kline, Paul Kandel, Jason Alexander e Charles Kimbrough.

O livro Notre-Dame de Paris, escrito por Victor Hugo, foi publicado em 1831, na França. A obra foi adaptada diversas vezes para opera, balé, cinema, quadrinhos, televisão, desenho animado, show, musical, comédia, teatro, enfim. Só para o cinema e televisão foram dez filmes, entre eles, a 34ª animação da Disney, lançada em 1996.

Catedral de Notre-Dame
Catedral de Notre-Dame

A história se passa em Paris, no ano de 1482 e, embora tenha enfoque na perseguição dos ciganos por parte do Ministro da Justiça e o homem deformado que toca os sinos da catedral, pode-se considerar que a Notre-Dame em si é um dos personagens principais, tamanha a sua importância para a história. A arquitetura é bem representada, pois os animadores visitaram o local durante semanas para fazer pesquisas e esboços, além de tirar centenas de fotos que permitiram que as criações fossem bem fiéis às características originais da catedral. Além disso, o espaço físico ganha importância ao ser bem explorado no roteiro.

Quimeras de pedra da Catedral de Notre-Dame
Quimeras de pedra da Catedral de Notre-Dame

Eu ainda não li a obra original, portanto “não sou capaz de comentar” (PIRES, Glória. Oscar na Globo. 2016) sobre as mudanças feitas para deixar o conteúdo mais acessível para crianças. Pelo que pesquisei, uma das novidades foi a introdução das gárgulas (na verdade, quimeras) falantes que são os únicos amigos de Quasimodo, o corcunda de Notre Dame. Eu gosto delas no filme porque dão destaque a uma das mais famosas características da catedral – a presença dessas estátuas monstruosas e que, ao mesmo tempo, revelam a solidão e inocência do personagem. Além disso, mudaram o final da história e, com um público infantil em vista, obviamente não trataram de forma explícita os temas mais polêmicos da obra original. Apesar disso, diversos assuntos considerados maduros podem ser observados na animação, como a discriminação, a marginalização das camadas mais pobres da sociedade, a relação entre pai e filho, o questionamento da religiosidade, o conceito de inferno, o desejo sexual, o infanticídio e a luxúria, ainda que em segundo plano ou tomando cuidado para não chocar a audiência.

Assédio sexual
Assédio sexual

A história tem boas sacadas que podem passar despercebidas por grande parte do público, mas que merecem ser destacadas. Um dos exemplo é o fato de Esmeralda, a cigana que ganha dinheiro nas ruas com sua dança, pedir a Deus a proteção para os menos favorecidos, enquanto os frequentadores da igreja fazem pedidos pessoais, como dinheiro e amor. Há também o interesse e assédio sexual do homem mais velho, inclusive com a tentativa de conquistá-la com demonstrações de poder e ameaças, um tema que continua muito atual, e o tormento de possuir um desejo que coloca em questão suas convicções religiosas.

Quasimodo sobre uma gárgula da Catedral de Notre-Dame
Quasimodo sobre uma gárgula da Catedral de Notre-Dame

A histeria popular também é mostrada quando um grande número de pessoas não se envergonha em humilhar o personagem principal e se divertir às suas custas, mesmo que isso lhe cause muito sofrimento. A mesma população parece apta a ser facilmente manipulada por figuras dominantes, para o bem ou para o mal, o que não se difere tanto do que se observa atualmente com as grandes comoções e manifestações populares ainda orientadas pela mídia. Além disso, o filme trata a questão da aceitação pessoal de Quasimodo, o corcunda, que nunca ia para a rua por se considerar feio e inadequado ao convívio social – o que era largamente reforçado pelo homem que o criou. Nesse aspecto, as gárgulas surgem, ao mesmo tempo, como as únicas pessoas com quem ele é capaz de interagir e como sua própria consciência, revelando seus desejos e medos.

O filme recebeu, em geral, críticas positivas. A maior parte dos insatisfeitos fizeram menção às mudanças feitas na história e, até mesmo, na personalidade de alguns dos personagens. Arnaud Later, um dos principais estudiosos da obra de Victor Hugo, acusou a Disney de simplificar e censurar aspectos importantes da novela, tendo escrito que o filme “recai sobre clichês”. Para mim, como se trata de um produto feito com um público-alvo específico em mente, a animação funciona muito bem e concordo com a publicação feita, à época, pelo Daily Mail de Londres, que afirmou se tratar do “filme mais obscuro da Disney, com uma atmosfera que permeia a tensão racial, intolerância religiosa e histeria popular”. O Corcunda de Notre Dame foi um grande sucesso de bilheteria e se tornou o quinto filme mais visto nos cinemas no ano de 1996. A bilheteria mundial foi de $325.338.851 – muita ganância: tá repreendido!! Risos.

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